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segunda-feira, 7 de junho de 2010

5 discos injustiçados do rap nacional

-Mais listas
Existem algumas unanimidades do hip hop nacional: mídia e fãs adoram Racionais Mc's, todos respeitam a história doThaíde, Sabotage virou herói, etc. Nada contra, os três são excelentes artistas brasileiros, mas sempre senti um pouco de preconceito com as grupos que incorporaram elementos de rock ao seu som, ou contra MC's que não tenham vindo diretamente das comunidades pobres. Por isso fiz a lista abaixo. Talvez, daqui uns anos, ela seja bem indexada no Google e gere polêmica. Muita gente pode reclamar: "Pô, o que esse cara entende de rap, deve ser mó playboy, etc." A intenção aqui não é cagar regra, mas provocar reflexão e tentar resgatar discos bons que não seguem a cartilha do hip hop nacional clássico. Quem não tiver preconceito vai se surpreender.

Faces do Subúrbio - Faces do Subúrbio


















Lançado originalmente de forma independente, o disco de estreia dos recifenses do Faces do Subúrbio misturava não só o rock com rap, mas também embolada(ritmo tradicional brasileiro que lembra o hip hop), acrescentando pandeiros à pick up e guitarras. A banda teve bastante destaque na onda do Mangue Beat, mas nunca chegou a ser popular em São Paulo. É um bom disco pra quem se interessa pela fusão de hip hop com ritmos nacionais.
Ouça: "Homens Fardados", "Os Tais" e "P.P.O.R"

Eu tiro é onda - Marcelo D2


















Seguindo na mistura de ritmos nativos com as batidas do rap, encontramos "Eu tiro é Onda", primeiro álbum solo de D2 e pioneiro na mistura de hip hop com samba e bossa nova. "Pô, cara, mas D2 injustiçado?", você pergunta. Obviamente o MC carioca fez muito suesso com seu segundo álbum("A procura da batida perfeita"), mas muita gente do hip hop mais tradicional ainda torce o nariz pro D2, tanto por seu som ser mais pop, quanto por ele ter um passado roqueiro/mainstream.
Ouça: "1967", "Samba de Primeira", "Eu tive um sonho"

3)Cadeia Nacional - Pavilhão 9


















Antes do fenômeno "Sobrevivendo no Inferno", o Pavilhão 9 foi o grupo de rap mais comentado de São Paulo. Venderam 10.000 discos rapidamente, foram capa da Veja SP e contaram com a participação de Marcelo D2, Nação Zumbi e Sepultura em seu terceiro disco. O grupo se apresentava mascarado e se servia de fartas doses de rock pesado para compor seu som. O problema é que a aproximação com o rock os afastou dos puristas do hip hop, mas não os habilitou para o sucesso no mundo rock 'n' roll. Perdidos entre duas tribos, o grupo deixou essa pancada clássica para quem não se importa com rótulos.
Ouça: "Mandando Bronca", "Opalão Preto" e "Otários Fardados".

4)Gabriel, o Pensador - Gabriel, o Pensador




















A importância do primeiro disco de Gabriel, o Pensador pro rap brasileiro é análoga ao surgimento dos Beastie Boys nos EUA: "Rapper branco de classe média, em um momento em que o hip hop era visto com preconceito pela sociedade, consegue destaque com o som negro e abre caminho para as grandes bandas do gênero". É bobagem ficar menosprezando o trabalho do Pensador por sua classe social ou sua cor. Crítica, com rimas espertas e bases cruas, essa é uma das estreias mais impactantes da música brasileira e merecia ser respeitada como uma das boas bolachas do rap brasuca.
Ouça: "Lôraburra", "Retrato de um Playboy", "Tô Feliz(Matei o presidente)"

5)Câmbio Negro - Câmbio Negro



















Saída das quebradas de Ceilândia, a banda liderada pela voz grave de X teve uma trajetória parecida com o Pavilhão 9. Começaram fazendo hip hop tradicional com DJ e depois acrescentaram guitarra, baixo, bateria e influências de rock pesado. Além dos grooves de "Esse é meu país" e "Círculo Vicioso", o disco conta com a sinistra "Um tipo acima de qualquer suspeita" sobre um tarado que ataca mulheres de todas as cidades até acabar na cadeia "chupando de todo mundo, chamando de meu bem". Um dos melhores e mais criativos álbuns de rap nacional
Ouça: "Esse é meu país", "Círculo Vicioso" e "Um tipo acima de qualquer suspeita".

Veja também:

Não gostou? Xinga aí embaixo!

sexta-feira, 26 de março de 2010

6 discos para começar a ouvir jazz

Essa lista não pretende ser um top 6 melhores discos de jazz.

Eu não sou "entendido" em jazz.

Fui um adolescente punk e ,em geral, gosto de música redonda, feliz e cantarolável. Na verdade, quando era moleque eu odiava jazz. Era o som que meu pai colocava de manhã quando acordávamos para ir à escola. Eram os discos que ele deixava sempre rodando no carro. Não tinham distorção, refrões e muitas vezes nem vocal.

Mas quando vim pra São Paulo, o amigo Gabriel Gianordoli me apresentou alguns clássicos do jazz que me fizeram gostar da coisa. "Love Supreme", "Kind of Blue", "Time Out" e "She was to good to me" entram nessa conta. "Porgy and Bess" é um disco cantarolável e reúne dois gigantes que quem quer começar a se aventurar no estilo deve conhecer. Bom, era pra ser um top 5, mas resolvi incluir o primeiro solo do Jaco aqui. Deste eu gostei quando ainda era "roqueiro". O cara é pro baixo o que o Hendrix é pra guitarra, então pode agradar quem tem resistência a pianos e raízes blues.

Espero que ajude quem quer conhecer este estilo considerado "chato" e "difícil". Você também pode usar os nomes de discos para parecer cool numa conversa. You choose.


"A Love Supreme" - John Coltrane(1965)


"A Love Supreme" conseguiu ser o único disco de jazz a se tornar meu álbum favorito por um certo tempo. A viagem espiritual do saxofonista Coltrane com seu quarteto genial se resume a 4 faixas: "Acknowledgement"(com uma linha de baixo hipnótica e o coro repetindo "a love supreme" no final), "Resolution", "Pursuance" e "Psalm", essa última uma versão musicada de uma oração registrada por Coltrane no encarte do álbum. Acho que é o som mais espiritual que fizeram, desde a invenção do mantra "om".

"Kind Of Blue" - Miles Davis(1959)
Miles Davis é o maior adversário de Louis Amstrong na briga pelo trono de rei do jazz. O trompetista passeou por diversos estilos, lançou meia dúzia de discos essenciais e se tornou unanimidade com "Kind of Blue", álbum que tem até um livro inteiro dedicado só pra ele. Disco de platina quádrupla, sempre liderando listas de melhores do jazz, a bolacha ficou em 12º lugar na lista pop de "500 melhores álbuns da história" da revista Rolling Stone . A influência da bolachinha modal escapa dos terrenos do jazz e se espalha por rock e música clássica.



"She Was To Good To Me" - Chet Baker(1974)

Um trompete tocando a nota certa a cada segundo, compondo melodias assobiáveis mesmo nos improvisos. Algumas canções orquestradas, algumas cantadas numa voz bossanovista. Um dos caras mais cool do jazz no comando do som. Ouça só o começo com "Autumn Leaves" e "She Was to Good to Me" e tente não se apaixonar.

"Time Out" - The Dave Brubeck Quartet(1959)
Um dos álbums de jazz mais vendidos da história, "Times Out" quebra o ritmo do jazz brincando com ritmos turcos, valsas e swing. Bruebeck era da turma do jazz branco da costa oeste - assim como Chet Baker - e sua composições eram mais aceitas que o bebop ácido da costa leste. "Take Five"(que era pra ser só um solo de bateria de Joe Morello) entrou nas paradas da Billboard e é citado como influência até de bandas de rock como "Os Mutantes".

"Porgy and Bess"
- Louis Amstrong e Ella Fitzgerald(1957)
"Porgy and Bess" é a versão jazz mais famosa da ópera de Geroge Gershwin e reúne dois dos maiores nomes do estilo: o carismático e genial Louis Amstrong e a diva Ella Fitzgerald. É um bom começo para quem não tem saco para som instrumental e ainda incluí o clássico "Summertime".

"Jaco Pastorius" - Jaco Pastorius(1976)
Mesmo que não consiga a unanimidade de outros figurões dessa listinha, o primeiro disco solo de Jaco Pastorius é bem popular entre os fãs de jazz e seu som costuma agradar quem está mais acostumado com rock 'n' roll. Contando com Herbie Hancock nos teclados e Wayne Shorter no sax soprano, as 9 faixas incluem sons mais funks, uma faixa com vocais e a genialidade que levaria Jaco ao posto de maior baixista da história.

Se ainda assim você achar jazz um saco, se liga nos nossos posts de punk rock

Veja também:
-O evangelho segundo Louis Amstrong
-Lista com documentários legais sobre rock 'n' roll
-Ilustração de Charles Mingus por denisdme

sábado, 21 de junho de 2008

Mais podres do que nunca - Garotos Podres



por Fred Dio Giacomo
-Leia entrevista exclusiva com os Garotos Podres

Na capa um menino saudável brinca com uma mamadeira, na contra um pequeno africano desnutrido chora esperando a morte chegar. Mais Podres do que Nunca, produzido pelo Redson (Cólera), primeiro disco de Oi! do Brasil, é um clássico do rock brazuca. Todos citam "Dois" do Legião Urbana, "Nós Vamos Invadir Sua Praia" do Ultraje à Rigor ou, "para quem curte um som mais agressivo", "Cabeça Dinossauro" dos Titãs, mas se esquecem dessa pérola tosca que vendeu mais de 50.000 cópias independentes, ganhou as rádios rock com "Johnny" e "Vou fazer cocô" e ainda cravou dois clássicos no punk nacional: "Papai Noel, Velho Batuta" e "Anarquia Oi!".

Aqui não há nada que lembre o punk cheiroso de CPM22 e Blink 182, a produção é suja, os instrumentos amadores, a gravação era pra ser uma demo, mas acabou virando disco independente "devido ao resultado surpreendente" pra época. Três faixas gravadas nunca foram lançadas devido à péssima qualidade, as 11 que ficaram trazem a marca dos Garotos Podres; punk simples, mais lento e candenciado que o feito por seus contemporâneos (Ratos de Porão, Olho Seco, Cólera...) e letras críticas/ sarcásticas carregadas de humor negro. Afinal, quem nos dias de hoje teria a manha de fazer uma letra como a de "Papai-Noel": "Papai- Noel, filho da Puta/ Rejeita os miseráveis/ Eu quero mata-lo/ Aquele porco capitalista/ Presenteia os ricos/ Cospe nos Pobres." Ou "Vou fazer cocô": "Enquanto você, de paletó e gravata/ Aparece na tv/ E diz coisas que eu não consigo entender/ O que que eu faço?/ Vou fazer cocô." Não, não, muito sujo, politicamente incorreto, prejudicaria as vendas. Rock sem esse espírito de contestação tem o mesmo valor que axé. Mesmo porque, tanto faz ter na rádio É o Tchan e Art Popular ou LS Jack e B5. O lixo é o mesmo, aí talvez até seja melhor o Tchan porque é lixo 100% nacional, os caras das "bandas de pop/rock" de hoje em dia ainda tem a moral de copiar lixo dos gringos. Cada país tem a trilha sonora que merece...



-Leia resenha do disco "Pela Paz em Todo Mundo", do Cólera

Bom, voltando aos Garotos Podres, seu disco de estréia gravado em 1985 e relançado com a música "Meu Bem" (uma daquelas 3 que tinham ficado "péssimas") é o retrato dos anos 80, conturbados, marcados pelo fim da ditadura (que censurou duas faixas do disco), pelas greves de metalúrgicos (ali perto dos Garotos que são do ABC) e pela hegemonia do Brock. Uma história retratada nas 11 faixas desse disco. Uma curiosidade é a música Füher ("Os imundos querem dominar o mundo, com o poder de suas armas/ Sob suas estrela maldita/ Fanáticos religiosos, assassinos malditos/ Eu quero mata-los"). A letra acabou gerando acusações aos Garotos Podres (socialistas) de nazismo. Essa acusação ainda ecoa nos meios anarcopunks. Em uma entrevista concedida a mim por e-mail, Mau explica o assunto. "A intenção da música é colocar no mesmo saco os nazistas e a extrema direita israelense que defende a matança indiscriminada e a deportação em massa dos palestinos". E a história segue dezoito anos depois do lançamento do disco, os palestinos continuam sendo massacrados pela extrema direita israelense e os Garotos Podres ainda são uma das poucas bandas interessantes do rock nacional...

ÁLBUM: Mais podres do que nunca.
ARTISTA: Garotos Podres
ANO: 1985
GRAVADORA: Independente(Rocker)


-Mais punk rock aqui!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Chega de Saudade - João Gilberto, 1959



Estou ouvindo agora Chega de Saudade do João Gilbero. Pode não ser o melhor disco da MPB(na eleição da Rolling Stone ficou em quarto), mas é com certeza o mais influente. Mudou a vida de gente como Caetano Veloso, Jorge Ben, Roberto Carlos(o primeiro disco do Rei é de bossa!), Gilberto Gil, Gal Costa e por ai vai... Como diz a última faixa do disco(que inclui os clássicos "Chega de Saudade" e "Desafinado"): "É um luxo só"!

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

1001 discos para ouvir antes de morrer



Uhu! Uma lista gigantesca com discos fundamentais para ouvir antes de bater as botas! Escrita por "90 críticos internacionais de renome"(definição bem precisa essa), com prefácio do co-fundador da revista Rolling Stone Michael Lindon e edição de Robert Dimery. Entre os colaboradores só tem gringo mas umas 18 bolachas brasileiras entraram na dança. Dos óbvios Sepultura, Tom Jobim e Sepultura às inusitadas presenças de Suba e Carlinhos Brown(talvez a presença de Carlinhos Brown seja mais inusitada pra gente que pros gringos, vai saber!)
Como dá pra ver não são só álbuns de rock: tem jazz, rap, pop, música cubana... Já comecei a baixar a lista pelo Frank Sinatra. Até 2010 devo ter terminado a missão de ler as milhares de páginas e escutar todas as faixas recomendadas! Pra quem mora em sampa o livro está em promoção na FNAC Pinheiros: R$47,90

-Para baixar os discos no blog "No Brasil"