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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Grandes baixistas punk


-Assista os solos de grandes baixistas

O punk rock não foi construído em cima de grandes músicos, tecnicamente falando. O que valia ali, no mundo dos três acordes, era a criatividade, a atitude, a simplicidade em mandar sua mensagem direto pro ouvinte. Por isso, quando falamos de grandes baixistas na cena punk temos que considerar dois tipos: os que realmente tocavam bem e contribuíram para a hsitória do contrabaixo e aqueles que foram influentes. Abaixo segue nossa listinha. Se você não curtiu deixe seu comentário xingando e sugerindo outros nomes.

Sid Vicious, Sex Pistols






A adorável fraude. Ninguém tocou tão pouco para entrar na história do rock quanto Sid. Mas é ele que estampa a capa do livro "Rocks" do fotógrafo Bob Gruen e de "1001 discos para ouvir antes de morrer" de Robert Dimery, além de milhares de pôsteres, camisetas e até um filme, "Sid e Nancy".

Matt Freeman, Rancid






Dos poucos baixistas punk a constar sempre em listas de grandes instrumentistas do rock. Matt Freeman ataca em linhas de reggae e ska no Rancid, e é famoso pela velocidade com que que destrincha notas no solo de "Maxwell Murder". Provavelmente a única unanimidade dessa lista.







Robert Trujillo, Suicidal Tendencies & Inectious Grooves





Não vamos avaliar o trabalho do cara no mundo do metal. Mas no terreno do crossover do Suicidal Tendecies, Trujillo se destacou com seus slaps e grooves, atingindo seu ápice no funkeado "Infectious Grooves", o Red Hot punk. Um bom exemplo pra quem acha que baixistas de hardcore não podem ter boa técnica.







Darryl Jennifer, Bad Brains




Vindo de uma formação de jazz fusion, Darryl Jennifer segura forte a cozinha da virtuose hardcore que é o Bad Brains. Mesclando metal, funk, reggae e punk, o quarteto de Washington tem os melhores músicos que já passaram pelos 3 acordes. Mesmo sem ser um grande solista, Darryl merece entrar em qualquer lista que fale de bons músicos no HC.







Paul Simonon, The Clash







A Paul Simonon devem todos os baixistas de punk que passaram a tocar linhas de baixo inspiradas em reggae e outros ritmos negros. Anos luz à frente de seus conterrâneos, o jovem inglês inseriu groove nos três acordes, sendo o grande entusiasta do ritmo de Bob Marley no Clash. Além do ritmo jamaicano, Simonon se virou bem em incursões da banda pelo funk. É também o compositor do clássico "Guns of Brixton" e estampa a clássica capa de "London Calling" onde aparece destruindo seu baixo.







Fat Mike, NOFX






Carismático, o líder do NOFX é outro baixista a mesclar hardcore com reggae, trazendo linhas suingadas e cantando por cima. Contemporâneo de uma geração de bons músicos das 4 cordas no punk/hc.






Mike Watt, Minutemen & Stooges


O Minutemen é uma banda pouco conhecida dos EUA, que misturava punk com influências de funk, indie e jazz. Mike Watt, o baixista, foi um dos caras mais criativos do punk oitentista, mesclando slaps, palhetadas e escalas dedilhadas nas curtas músicas de sua banda. Desde 2003, Watt é também o responsável pelas 4 cordas dos Stooges.




-Lista com os melhores baixistas da história do rock


Flea, Fear & Red Hot Chili Peppers



Você me pergunta: que porra o Flea está fazendo nessa lista? E aí você esquece que ele tocou na banda de hc Fear por alguns anos(1982-1984). Além disso, como o próprio conta no vídeo acima, seu estilo é um cruzamento do groove de George Clinton com a intensidade do punk rock.








Pica-Pau, Ratos de Porão






O Ratos de Porão já tinha uns solinhos de baixo na época do Jabá, mas foi com o Pica-Pau que as 4 cordas tiveram seu melhor momento na discografia dos caras. O baixista gravou três discos clássicos(os dois "Feijoada Acidente?" e o "Carniceria Tropical"), sempre com o timbre gravão do seu Rickenbacker aparecendo em solos como de "Dotadão deve Morrer" e "Difícil de Entender", num estilo agressivo, mas que mantinha swing.






Dee Dee Ramone, Ramones




Comecei e terminei a lista com os piores músicos dos dez aqui presentes. Dee Dee sabia tocar baixo, mas era tosco. Não tinha técnica, mas foi o cara que influenciou Sid Vicious e companhia, fazia backing vocals, tinha presença de palco e compôs a maioria dos clássicos do Ramones. Dee Dee criou a figura do baixista de punk, com o instrumento no joelho, tocando com palheta e agitando sem parar. Entra aqui pelo pioneirismo.

***

Veja também:
-Melhores baixistas do heavy metal
-Lista com os 100 melhores guitarristas da história, segundo a Rolling Stone

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

"Camisa de Vênus", 1983 - Camisa de Vênus

-Curte a poesia maldita de Augusto dos Anjos?


Os cinco malucos da capa são mal encarados e carregam polêmica encharcada até os ossos. A banda começou num terreno improvável: a Salvador de 1982. Nas rádios tocava Gilberto Gil, Pepeu Gomes e Axé. A Bahia era a terra de Antônio Carlos Magalhães, do carnaval e do acarajé. Mas os 5 da capa gostam de rock ‘n’ roll e punk rock, falam palavrões e se declaram “a única banda heterossexual do mundo”. Espete sua agulha ou dê play na MP3. Vamos dissecar mais um crássico do nosso (punk) rock brazuca.

Polêmica 1
Depois de fazer sucesso com seu primeiro compacto(“Controle Total”, versão de “Complete Control”, do Clash), a banda formada pelo radialista e rocker Marcelo Nova, Robério Santana (Baixo), Karl Franz Hummel (guitarra base), Gustavo Mullen (Guitarra solo) e Aldo Machado (Bateria) já lotava casas em Salvador e recebeu proposta de contrato para gravar um disco, que inicialmente deveria sair pela pequena Fermata. De olho no potencial que aqueles roqueiros poderiam atingir no auge do Brock dos anos 80, a Som Livre se dispôs a lançar a bolacha que levava o nome da banda em 1983. Aí que rolou a primeira confusão. Com a promessa de ganhar divulgação na Globo e demais televisões os engravatados da Som Livre propuseram a Marceleza e Cia que o Camisinha mudasse para um nome “mais família”. Putos da vida, os caras propuseram chamar-se “Capa de Pica” e foram demitidos. Passaram meses ralando em São Paulo à base de sanuíches até que a RGE oferecesse um contrato para os caras e eles estourassem no Brasil inteiro com o hit “Eu não matei Joana a Darc”. Rádios conquistas, a gravadora relançaria “Camisa de Vênus” com o selinho “incluindo Bete Morreu”.




Polêmica ao quadrado
Mas pera aí, o Camisa de Vênus era punk? Bom, Marcelo nova odiava o rótulo de “punk baiano”, que colou na banda no começo de carreira. A real é que os caras do Camisa eram rockers que, de saco cheio da cena da época, se empolgaram com o retorno às raízes que os punks 77 propunham. Aliás, “Camisa de Vênus” é provavelmente o único disco de punk 77 feito no Brasil, já que a maioria dos punks paulistanos curtia mesmo era hardcore inglês e finlandês. No álbum, além das letras críticas/sacanas, do visual da banda - com cabelos espetados, roupas pretas e jaqueta – e dos instrumentos toscaços usados nas gravações, é marcante a presença de quatro versões de clássicos do punk britânico.

Mas e o som? Bom, vale lembrar que esse disco foi lançado antes de “Crucificados Pelo Sistema” do RDP, considerado o primeiro disco de uma banda punk/hc da América Latina. Em suas páginas, a revista Showbizz relembrou: “São Paulo já sabia. Mas o resto do Brasil só foi aprender a pogar mesmo com "Meu Primo Zé", "Bete Morreu" e outras obras-primas do disco de estréia do grupo de Marcelo Nova.(...) Certo, com chupações creditadas e não-creditadas de Jam, Buzzcocks & Cia., mas bem aclimatado à baianidade irrevogável dos instrumentos (de péssima qualidade), dos instrumentistas e, principalmente, do sotaque de Marcelo.” O disco abre com “Passamos por isso”, que esculacha MPB e satiriza “Brasileirinho”(que o “inimigo da banda”, Pepeu Gomes tinha imortalizada em versão guitarreira). A vocal de Nova é quase declamado, suas letras são ácidas, o som da banda é abafado. “Metástase” tem a ótima letra chupada de “Where Next Columbus” do Crass. “Bete Morreu” é o primeiro hit do disco. Um catarro sádico, narrando o espancamento, estupro e morte de “Bete” a rainha da escola, patricinha perfeita. “Negue” adianta o punk brega de Wander Wildner em mais de 10 anos, trazendo uma versão raivosa para a clássica dor de corno da MPB. “O Adventista” transforma “I Believe” do Buzzcocks em hit, citando Xuxa e Pelé e Flávio Cavalcanti na letra. “Pronto para o suicídio” é a porrada mais punk do álbum, que acaba com outro hit roqueiro, “Meu Primo Zé”. Fazendo discursos em seus shows performáticos, Marcelo Nova colecionava inimigos na crítica e cena da época, detonando tudo na MPB com exceção de Raul Seixas(um de seus grandes ídolos) e os artistas marginais(como Walter Franco e Jards Macalé, que o Camisa regravaria).



"Bete Morreu" com áudio ruim e participação de Clemente, dos Inocentes



Outras resenhas de punk nacional:
-Pela Paz, Cólera
-Mais podres do que nunca, Garotos Podres

Polêmica – a vingança final

Mas o Camisa de Vênus fazia plágios de bandas gringas? Apesar, de afirmarem que tinham um som original e não copiavam ninguém lá fora, os baianos realmente eram craques em fazer versões de músicas undegrounds estrangeiras. Tudo bem, Roberto e Erasmo Carlos também começaram assim, não é? No primeiro disco estão creditadas as “inspirações” em “That’s Entertainment” (The Jam) e “I Believe” (Buzzcocks). Mas os caras esqueceram de dar crédito em “Metástase” (“Where Next Columbus”, The Crass) e “Meu primo Zé” (“My Perfect Cousin”, Undertones). Em defesa de Marceleza, tem-se que afirmar que suas versões sempre incluíam atualizações para a realidade nacional, com exemplos do cotidiano brasileiro, e que suas letras “não chupadas” também não perdiam o fio da navalha. E pra acabar com a discussão, um trechinho de entrevista dos caras para Bizz, em janeiro de 1987:

BIZZ- E essa coisa de roubar refrões?
Marcelo - A gente sempre usa isso. Em cada disco tem uma música que a gente faz isso.
BIZZ - É uma brincadeira?
Marcelo - É uma brincadeira.
Gustavo - Que também pode ser levada a sério.
Marcelo - Não, é uma brincadeira, eu não estou plagiando, só estou tirando um sarrinho, posso?

Se você gostou desse disco, ouça também "Viva", do Camisa de Vênus

domingo, 17 de janeiro de 2010

Wander Wildner, Replicantes - Entrevista




Wander Wildner foi a primeira pessoa a ficar puta comigo numa entrevista. E olha que, em 2003, praticamente todas as entrevistas pro zine KAOS! eram feitas por e-mail. Lembro que, quando recebi as respostas dele, percebi que o cara não gostou muito das perguntas sobre a "cena punk dos anos 80". Na época, o KAOS! era um zininho punk e eu sempre queria passar a limpo algumas polêmica que lia em fanzines e sites toscos. Uma delas eu matei na entrevista com o Mau dos Garotos Podres, que se defendeu das acusações de serem uma banda nazista.

Eu, com minha experiência de segundo ano de faculdade, achei a entrevista do Wander meio mal-humorada e só publiquei no site, não coloquei no zine impresso. Hoje, acho que foi boa, ele respondendo com ironia o que não gostava, mas também soltando perolinhas de sua filosofia punk brega como: "A vida é muito simples, é só achar algo legal pra fazer! ".

Certo, Wander, a vida é muito simples, e, reajustando as contas com o cara que deu nome pra este blog, aí vai a entrevista com o Punk Brega em carne e osso, na época em que tinha voltado a tocar com os Replicantes:
***


1.Bom, os Replicantes estão com uma turnê internacional marcada, quais as expectativas? Vocês têm alguma noção de quanto o trabalho de vocês é conhecido lá fora?
Acho que eu não tenho expectativas. Vou para fazer shows. Creio que será uma grande aventura, vou para lugares que nunca fui, mas não fico imaginando coisas, apenas me preparo física e psicologicamente para uma série de shows e viagens, acho que vai ser bem legal.

2.Vamos voltar um pouco no tempo. Por que o Wander Wildner saiu da banda e como foi que rolou essa volta?
Saí porque fiquei a fim. Voltei porque eles me convidaram, eu aceitei porque gosto da banda, das músicas, sou um cantor, é uma das minhas profissões.

3.O fato de vocês virem do sul atrapalhou no início da carreira, já que a cena punk mais forte rolava em São Paulo?

Como assim virem do sul? Nós não saímos do sul e fomos para algum lugar. A banda sempre viveu em Porto Alegre e saía para fazer shows, gravar, divulgar. Vocês parecem ter alguma idéia pré concebida sobre bandas, os Replicantes são uma banda original, criamos a nossa própria estrada, somos independentes, mesmo as vezes gravando numa grande gravadora.

4.Hoje em dia como vocês vem o movimento punk dos anos oitenta? Dá pra fazer uma comparação com a cena hardcore atual?
Eu não vejo. Nunca fizemos parte de movimentos deste tipo. O único movimento em que acredito é o meu próprio, de ir e vir.

5. É verdade que rolava um preconceito de bandas punks como RDP e Olho Seco em relação aos Replicantes? Isso ainda acontece?
Não sei. Como não nos preocupamos com isso, não sei. Prefiro usar meu tempo trabalhando.

6. O que tem rolado no aparelho de som de vocês ultimamente?
Walverdes, Os Pistoleiros, Stuart, Beck, Qassis, Bob Dylan, Neil Young, Sonic Youth...

7. Como anda a carreira solo do Wander Wildner? Há planos pra mais lançamentos do "Punk Brega"?
Estou com um disco pronto, procurando parceria para lançamento – chama-se PÁRA-QUEDAS DO CORAÇÃO - e tenho outros projetos.

8. Os discos originais dos Replicantes nunca foram lançados em cd (Só uma coletânea com 20 Hits) , há chance de vermos esses clássicos relançados?
Acho que sim, vamos entrar em contato com a gravadora mais tarde para ver isso.

-Todas as entrevistas postadas aqui





9. Que sons não poderiam faltar na "Festa Punk" dos Replicantes?
Sex Pistols!!!

10. Várias letras antigas da banda tinham uma temática meio apocalíptica, bem Guerra Fria. O que vocês acham dessa volta do clima de tensão depois do 11 de setembro e a Guerra no Iraque?

Acho que o acontecimento do dia 11 serviu para mostrar as possibilidades de futuro que podem acontecer, que a maioria das pessoas não estavam se dando conta.

11. Agora as infames questões rápidas, o que vocês pensam a respeito de :
a) George Bush - UM AMERICANO TÍPICO
b) MPB - ADORO OS CLÁSSICOS E O CORDEL DO FOGO ENCANTADO
c) Engenheiros do Havaí - HUMBERTO É UM MESTRE
d) Anarquismo - LEGAL

12. Vale a pena fazer rock no Brasil?Claro! Se não valesse eu não faria, vivo disso.

Qualquer mensagem ou recado pra molecada sintam-se a vontade...
A vida é muito simples, é só achar algo legal pra fazer!

Replicantes na Alemanha, 2006

-5 bandas gaúchas foda

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Punk Rock Girls - The Queers

Clipes, rankings, trailers: sexta-feira é dia de postar vídeos punk bregas.


A primeira vez que vi este clipe foi no programa Gordo Pop Show - melhor programa que João Gordo já apresentou na Mtv. Depois reencontrei o Queers em mp3 e apresentações no Musikaos, mas nada superou o impacto dessas punk rock girls no imaginário de um adolescente rocker do interior. Em algum lugar do mundo, havia uma menina com franja vamp ou cabelo espetado espernado por você.

Veja também:

-Brody Dalle, a mais irresistível punk rock girl

-Por que o primeiro disco do Ramones mudou o mundo?
-Entrevista com os Garotos Podres


Letra de Punk Rock Girls
Leather jackets, stupid boyfriends,
poor report cards, life is just a ball
Hi- top Chucks and bubblegum and oh my gosh I'd
love to love them all
They're so cool their style is never cramped
Too much of everything and everyone is amped
Well, do't get hot and bothered
listen, I know I got problems
I also know just what this goofy world needs

Yummy yummy punk rock girls [x4]
I wish they all were punk rock girls

The smartest of the smartest and the sweetest of
the sweetest, they're the most
Me and Dr. Frank have both decided that we love
them more than toast
I wish they'd let me share their bubblegum
And let me hang with them and life would be so fun
I should be sedated cuz my heart is all inflated
I guess I gotta get me one or two

[Chorus]

I don't know where I'm going, but I know just
where I'd like to be
With my punk rock girlfriend kissing me
Let's

terça-feira, 13 de julho de 2010

Breve história do rock de Penápolis (1985-2003)

Destruindo a Rotina

Achei no meio das minhas coisas um fanzine que nunca lancei contando de forma rápida a história do rock alternativo de Penápolis. Acompanhei as coisas de perto a partir de 1997, quando assisti o tal show do Dr. Ratazana no Colégio Coração de Maria. Pra história antes disso contei com a memória do André Gubolin, baterista de diversas bandas  e co-organizador do festival "Destruindo a Rotina". Quem lembrar de mais algum detalhe pode deixar comentários abaixo. A história aqui vai até 2003, quando eu já estava fora de Penápolis e o Praga de Mãe acabou.


-Uma poesia pra Penápolis
-Show da banda Milhouse em Penápolis


Praga de Mãe, 2001

Pré-História
Penápolis uma pequena cidade de cerca de 60.000 habitantes. Deserto roqueiro onde se encontrava o maior combustível  para  as bandas de garagem: o tédio. Sem muitas opções  de lazer não havia outra escolha a nãe ser se trancar em casa e rolar um som.

A cena toda se iniciou  na segunda metade da década de oitenta: as vilas da cidade fervilhavam, gangues de metaleiros brigavam entre si e se reuniam para ouvir death e trash metal. Nessa época surgiu a banda "Bárbaros do Metal". Chegou a rolar um certo intercâmbio com as cidades próximas como Araçatuba. Ocorreram alguns pequenos festivas precários nas vilas e até o Clube Corinthians tinha noites dedicadas ao rock. O undeground estava forte.

Apesar dessa  euforia inicial, com o fim da  sua única banda, a cena se desfez aos poucos. As brigas entre as gangues também acabaram  pichando o movimento. O rock voltaria apenas no início dos anos 90, saindo um pouco da periferia e migrando do metal para o punk...

Ler matéria completa


Hëllisch, 1996

Por volta de 1990, surgiram duas bandas fundamentais para a cena local: N.D.A. e Hëllisch. A Hëllisch surgiu de uma brincadeira entre amigos. Era uma galera que sempre se reunia: roqueiros, fãs de Ramones, adolescentes sem ter o que fazer. Eles se encontavam na escola "OCEU Positivo" e ficavam rolando som com os instrumentos da fanfarra, tudo na brincadeira e sem qualquer noção musical. Foi uma alegria  pra galera quando eles conseguiram tirar o primeiro som dos Ramones. Dessas jams surgiu a banda Orgasmo de Mandruvá, ainda com Alberico, que daria origem a Hëllisch. A Hëllisch foi a primeira, e por muito tempo única, banda de punk rock da cidade. Tocavam basicamente Ramones, mas também Raimundos, Sex Pistols e outras. Junto a Hëllisch surgiu o N.D.A., banda de pop/rock formada por Fernando, Rodrigo e Lucas Cazzela. As duas bandas tocaram por muito tempo sozinhas, sempre buscando novos lugares para se apresentar e reunindo cada vez mais roqueiros. Com a saída de Alberico, o Hëllisch passou a contar com Caio, no vocal; Cotonete, no baixo; Sassi na guitarra e Ifo, na bateria. Era um tempo de camaradagem  e extremo amadorismo, com a turma sempre junta.

Posteriormente, Ifo saiu e quem assumiu a baqueta foi o camarada da banda, Pio. Havia toda uma galera junta da banda como Gilson "Punk", André "Hëllichato" e as amigas Fernandas ou as "The Fers". Em 1996, a cena se fortaleceu com a volta das bandas de metal. Primeiro o thrash do Kreusá, formado por Eduardo "Vermeyo", Miguel Podre e Evandro e depois o MIND de André "Ramone" Gubolin(o Hëllichato), André Sinistro e Deley. Depois o Kreusá se tornaria HellFire, uma das melhores bandas da cidade, que contava ainda com Pevi no baixo.

A cena ia se expandindo e conquistando novos espaços: bares, escolas e praças. Valia tudo para tocar ao vivo. O N.D.A ficou célebre pelos covers de Mamonas Assassinas, incorporando, inclusive, a performance bem-humorada da banda nos palcos, com fantasias e tudo mais. Com o fim do N.D.A, Lucas formou a Tuna com Sandro, Ivan e Turcão. A banda madava covers de rock nacional e internacional, alternando um set acústico com rock mais tradicional. Entre 1997 e 1998, surgiria o Dr. Ratazana, formada por jovens de classe média que estudavam  no colégio "Coração de Maria". A banda fazia um som punk pop/grunge, com covers de Green Day, Nirvana e Raimundos. Inicialmente formada por Alexandre Soares, Matheus, Daniel "Pará" e Mancuso, logo o Ratazana teve sua formação alterada. A banda iria ensaiar com a bateria emprestada de André Ramone, cuja banda MIND havia terminado. André acabou tocando um pouco no ensaio e, como Mancuso não sabia  tocar direito,acabou ganhando seu lugar... Estrearam em um show antológico no "Colégio Coração de Maria" pra um bando de pirralhos empolgados. Essa foi uma das melhores apresentações da banda que quebrou tudo. Outro bom show foi um festival no antigo Kai Kan, que reuniu o Dr. Ratazana, o 1,99 e o HellF|ire. O HellFire, inclusive, em grande forma e com um público fiel que havia sobrado das sementes plantadas pelos metaleiros das vilas da cidade.  Mas, sem dúvida, o festival que melhor representou essa geração do rock de Penápolis foi o "Urbano Acústico: Concerto de Férias" realizado, óbvio, durante as férias escolares. Tuna, Dr. Ratazana, HellFire e Hëllisch(com Cotonete na bateria) subiram no palco nessa ordem e fizeram  a "Avenida", principal point dos jovens penapolenses, tremer com 5000 watts de potência. Nessa época, algumas bandas já tinham fita demo, caso do Dr. Ratazana e da Hëllisch.(Pioneira nas fitas demo e que posteriormente gravou também um cd independente). Logo o Dr. Ratazana acabou e André ficou tocando em duas bandas o 1,99(depois Katalepsya) com Bicão e Igor, e a Jam, um projeto deles com Cotonete.  Em 1999, Igor se afastou rapiddamente da Katalepsya e entraram Gabriel e Fábio. A banda passou a tocar metal - de Iron Maiden à músicas próprias de death metal, mas logo Igor voltou e Katalepsya e Jam se fundiram.

Com o fim do Ratazana, Matheus entrou na Hëllisch e Pará no Sandman, banda criada por Lucas Cazella para dar prosseguimento ao seu trabalho com a finada Tuna. Tocavam com eles, ainda, Sandro e Bruno Campanha.

Segunda geração
Gilvan em 2003, organizador dos primeiros festivais

Até ai o rock da cidade não passara por uma renovação. Em 1999 as coisas seriam diferentes. Começaram a aparecer novos roqueiros que, influenciados por Dr Ratazana, Hëllisch e Cia, resolveram procurar fazer um som. Um desses primeiros frutos foi o trio formado por Fred Di Giacomo, Rafael Kiwi e Tiago. A banda terminou logo, quando Fred foi atropelado por uma moto indo ao ensaio de bicicleta, mas esse embrião acabou dando origem, ao grupode de grunge Jockeypaul, futura Dinastia.

Outro festival rolou na Avenida com Sandman, Hëllisch, Katalepsya e Jockeypaul. No final do ano explodiram novas bandas. The Sexmaniacs de punk rock escrachado, Andarilhos do Asfalto de rock e punk  e Kisher que rolava Legião Urbana e punk.

O The Sexmaniacs teve vida curta e com a saída do baterista Shell deu origem ao Thelema, de Rodrigo "Popó" Peters, João Flávio, Tori e Maurício. Depois saiu Rodrigo  e entrou Alexandre Soares(ex-Dr Ratazana) passando pra um som mais pop com covers de Bon Jovi e Cássia Eller. Os Andarilhos do Asfalto também logo mudaram.  Formados pelos irmãos Di Giacomo(Fred e Gabriel) e Bruno "Brisa" Jardim a banda diminuiu o nome para Andarilhos e passou a contar com Edgar "Gaznso" na guitarra. Tocando som próprio("Fuga para parte Alguma", "Censurado", etc) punk tosco e donos de performances piradas, a banda se apresentou ao lado de Jockeypaul e Thelema até conhecer  a galera da Vila América.  A Vila América foi entre 1999 e 2000 um celeiro de bandas. Garotos roqueiros, ligados ao movimento estudantil, na maioria de origem humilde e com afinidade com punk e grunge, eles deram origem aos Militantes(ex-Kisher), Stranger(ex-Punks de Brinquedo) e posteriormente Indigentes. Essas bandas unidas aos Andarilhos passaram a organizar a nova cena local realizando diversos festivais com bandas de todo o noroeste paulista. Surgiu um forte intercâmbio com as cidades próximas como Araçatuba, Birigui, Rio Preto, Coroados e outras. A dobradinha mais recorrente que se pode ver nos palcos foi Andarilhos/Militantes que tocavam em todos os buracos possíveis, e se apresentaram, inclusive, ao vivo na Rádio Difusora. Outras bandas que apareceram, mas tiveram vida curta foram a Black Star, a Ponto G e os Gametas. Hëllisch e HellFire já haviam saído da cidade.  A Tuna voltou a ativa e chegou a gravar cd. Surgiram fanzines, incialmente o Ira!(dos irmãos Di Giacomo(ex-editores do Afrociberdeli@, ao lado de Rodrigo Popó) e em 2001 uma série como o "Manifesto Feminista"  e o "Rock Brasil". Ao lado das bandas um galera sempre comparecia aos shows e mantinha os contatos com o pessoal de fora: Rakel, Bia, Bina, Thaiana, Silvia, Peru, Andrei... Fred, Gabriel e Gilvan conseguiram um programa de rádio na Bandeirantes. Entre os festivais destacaram-se "O 1º Massacre da Guitarra Elétrica" e o "2º Karna Rock", ambos com a presença de Andarilhos(agora com Wilson nos vocais e Marcão do Valle na guitarra), dos Militantes(formados por Junior, Gilvan, Ga, Vandinho e Duardo) e de bandas de fora. Os festivais contaram com a presença maciça de público, o que demonstrava a força da nova cena local. Um busão cheio de anarcopunks de Araçatuba, ostentando uma bandeira do MST, decorou as ruas da pacata "princesinha da Noroeste". 

Em 2001, até março, o que se viu foi uma continuação desse movimento de bandas com som agressivo e fé no lema punk do "faça você mesmo". Mas em abril os Andarilhos se separaram e os Militantes(já experientes em shows pela região, especialmente no centro cultural anarcopunk Quilombola, de Araçatuba) começaram a parar de tocar. Dos Andarilhos surgiu o trio 100% punk/hardcore Praga de Mãe. Programou-se o festival "Destruindo a Rotina" com oito bandas, entre elas o Dr Ratazana(de volta com a formação original), o Praga de Mãe e os Militantes.

 Hardcore feminista era a praia do Grito Feminino

Muitas coisas viriam depois. Uma banda formada só por meninas(Grito Feminino), hardcore melódico, trocas de cartas e zines, mais shows pela região, apoio da prefeitura para realizar o 1º Encontro Regional de Rock. Uma nova geração iria arregaçar suas mangas e formar seus próprios grupos de garagem mantendo vivo o espírito rock 'n' roll de uma cidade caipiria. Já que em Penápolis, o tédio - principal combustível do rock - continua abundante.

Fred Di Giacomo.(ex-Andarilhos, ex-Praga de Mãe, ex-Mullets, ex-editor dos zines Ira! e Afrociberdeli@ e atualmente nas bandas Milhouse e Cuecas Rosas), com a colaboração de André "Ramone" Gubolin.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Entrevista: Garotos Podres

Esses dias assisti o documentário "Botinada" do Gastão Moreira e fiquei empolgadaço e saudosista com o velho punk rock. Em homenagem, resgatei está entrevista com os Garotos Podres, originalmente publicada no Zine Kaos, feita por mim via e-mail em algum lugar entre 2002 e 2003.


Os Garotos Podres são umas das bandas mais injustiçadas do Rock Brasileiro, perseguidos pela censura no regime militar e por acusações infundadas de nazismo vindas das classes mais xiitas do punk, a banda segue firme desde o início dos anos 80 quando surgiu no ABC paulistas, se destacando como uma das mais importantes bandas do punk rock nacional e compondo clássicos como “Papai-Noel, Velho batuta” e “Anarquia Oi”. Vai abaixo entrevista com o vocalista dessa lenda do underground nacional, Mau.

por Fred Di Giacomo

1. Bom pessoal , vocês estão preparando seu quinto álbum, né? Como anda o processo de produção e qual a diferença em relação aos primeiros discos?
É isso aí! ... estamos preparando o nosso 5º álbum, o “Garotozil de Podrezepan 100 mg”, que deve sair em agosto ou setembro de 2003! Atualmente toda a produção está pronta só falta “mandar prensar” (vai sair independente ... nós mesmos vamos lançá-lo!)
Acredito que em relação aos outros álbuns, este é melhor gravado (caprichamos na produção), e regata muito do “humor-crítico” do nosso primeiro álbum (o “Mais Podres do que Nunca”)

2. Também foi lançado pela Rotten Record o tributo ao Garotos Podres, o que vocês acharam do resultado? Qual é o cover favorito de vocês?
Gostamos muito do “Tributo”! ... a maioria das “versões” ficaram melhores do que as “originais” ! A versão de “Meu Bem”, dos Kães Vadius, ficou do caralho!!!


3. Os Garotos Podres têm sofrido perseguição de alguns seguimentos do movimento punk que os acusam de serem nazistas, principalmente por causa da música Füher e da estética oi. Essa perseguição já encheu o saco? O que vocês tem a dizer sobre o assunto?
Putaqueopariu! ... Isto já encheu o saco!! ... Estes caras que ficam “falando besteiras”, simplesmente não sabem de porra nenhuma e tem o “dedo maior que o cérebro”!!! ... Não sabem que o movimento “Oi!” nada tem a ver com “nazismo”, e não sabem que a música “Füher”, foi escrita na época dos massacres dos campos de refugiados palestinos de “Sabra” e “Chatila” (no sul do Líbano) por tropas israelenses (comandadas por “Ariel Sharon”). Não entendem que a intenção da música é colocar “no mesmo saco” os “nazistas” e a “extrema direita israelense” que defende a matança indiscriminada e a deportação em massa de palestinos! ...
A coisa é tão ridícula que em nosso último show em Recife, tinha uns caras nos questionando, perguntando coisas do tipo: “Vocês são nazis?” ... “Não gostam de nordestinos?”. Acontece que a mãe do Sukata é pernambucana de Caruarú! ...
Qualquer dia desses, ainda vamos “perder a paciência” e pegar um desses “burros” pela orelha e dar umas boas “botinadas” na bunda! ...


4. Citem 5 discos para o garoto que está interessado em conhecer o estilo de som de vocês.(ska/punk/oi...)
Acho que tem algumas “coletâneas” (compilações) que são clássicas. A primeira delas é a “Strength thro Oi!”, que marcou o surgimento da “Oi! music” na Inglaterra.
Em relação ao “Ska”, a coletânea “Carry on Ska”, é fundamental. Para se conhecer um pouco do “Skinhead Reggae”, uma coletânea fantástica é a “Skinhead Jamboree”.
Além dessa três coletâneas, indicaria mais duas, fundamentais para se conhecer um pouco mais do “punk/oi” (ou “street punk”): a “Kaos in France” e a “Kaos in Europe”.


5. Os Garotos Podres se orgulham de fazer o mesmo som do início da carreira, o que vocês tem ouvido ultimamente? Alguma coisa nova ou os velhos clássicos do começo?
Ultimamente temos ouvido o mesmo que ouvíamos há vinte anos atrás! ... Acho que “paramos um pouco no tempo” ... Continuamos a ouvir ainda os “clássicos” do Punk Rock do final dos anos 70, a “Oi! music” do início dos anos 80, o “Ska Two Tone” do final dos 70 e início dos 80 e, o “Reggae” do final dos anos 60!!!!!! ... Estas são as nossas influências!!!


6. A banda tem discos lançados e excursionou por alguns países da Europa. Qual é a recepção do seu trabalho lá fora?
Temos CDs, LPs e Eps lançados em Portugal, Alemanha, França, Canadá e EUA. Fizemos uma “mini-tour” pela Europa em 95. Somos mais conhecidos fora do Brasil do que aqui. Quando tocamos na Europa, ficamos impressionados com a receptividade, principalmente em Portugal e Alemanha. Tocamos em todos os dias da semana (inclusive nas “segundas-feiras”). Em Berlim conhecemos uma moçada da Polônia que tinha vindo à Alemanha, só para ver o nosso show! ... Foi realmente uma experiência inesquecível!!


-Conheça o disco "Pela Paz em Todo Mundo", do Cólera

7. Qual a sua opinião sobre as bandas de hardcore melódico que formam uma grande parte do "novo punk nacional" como Cpm22, Dead Fish e Dance of Days?
Eu (Mau), particularmente não gosto dessa onda “americanizada” do assim chamado “Hardcore Melódico”. Embora seja bem tocado e gravado, parece que não tem “alma”! ... Prefiro mesmo os “clássicos” do Punk Rock dos anos 70 e 80!!


8. No disco Canções de Ninar, há uma música, "Saddam Hussein is Rock n' Roll" que se tornou atual com a invasão dos EUA no Iraque(tem até o George Bush no meio, só que na época era o Bush pai). Qual a opinião de vocês sobre a nova Guerra do Iraque e o imperialismo americano?
Bem ou mal, até os anos 80 havia um certo “equilíbrio estratégico” entre as grandes “potências”. Após a dissolução da URSS e o fim da guerra fria, os EUA passaram a ter uma postura cada vez mais agressiva em relação ao resto do mundo, pois não há mais uma outra “superpotência nuclear” capaz de enfrentar o poderio norte-americano.
É dentro deste contexto que podemos analisar a atual intervenção imperialista dos EUA no Iraque. O que mais assusta é que os EUA deixaram bem claro que não pretendem parar por aí! ... Antes mesmo de invadir o Iraque, ficaram com aquela história de “eixo do mal”, e ameaçaram claramente o Irã, a Coréia do Norte, Cuba, etc. Seguramente os EUA de hoje são a maior ameaça a paz mundial. As atitudes de George W. Bush lembram um pouco a postura de Adolf Hitler antes da Segunda Guerra Mundial. Antes de invadir a Polônia (acontecimento que deu início à guerra), Hitler invadiu a Checoslováquia, anexou a Áustria etc. Sinceramente espero que o povo norte-americano consiga se livrar da “extrema direita” que se apossou do poder dos EUA, pois Bush é hoje, uma ameaça muito maior do que Hitler foi no passado .... basta lembrar que ao contrário de Bush, Hitler não tinha “armas nucleares capazes de destruir várias vezes o mundo”.


9. Mudando o assunto pra política, vocês vem da região do ABC e a postura de vocês os aproxima do movimento metalúrgico dos anos 80. O que vocês acham da eleição do Lula pra presidente e do seu início de governo?

Acho que a eleição de Lula à presidência foi indubitavelmente um avanço! ... Pela primeira vez um trabalhador chega à presidência de um país tradicionalmente governado por representantes de oligarquias decadentes!
Em 1980 estávamos no “olho do furacão” ... Estudava numa escola bem ao lado do Paço Municipal de S. Bernardo do Campo, e costumava “matar aulas” para ver as assembléias e manifestações. Foi nessa época que “experimentei” a minha primeira bomba de gás lacrimogêneo na cara! ... A primeira apresentação dos Garotos Podres foi num festival beneficente ao “Fundo de Greve” do Sindicato dos Metalúrgicos de Sto André. Acho que vimos surgir e crescer a CUT e o PT, e que, a chegada do Lula à presidência, nada mais é que o coroamento dos esforços da classe operária em mais de 20 anos de luta.
Entretanto não devemos ter ilusões! ... A chegada de Lula a presidência é apenas uma etapa!! ... Embora o PT ocupe a presidência, o poder “de fato” ainda está nas mãos daqueles que sempre controlaram o país! ... É portanto o momento dos trabalhadores se mobilizarem, e levar o “governo Lula” a assumir as posições históricas do PT e das esquerdas brasileiras ... Somente a “luta de classes” pode fazer isso!


10. Agora, as infames rapidinhas,o que vocês pensam a respeito de:
a) Hip-Hop?
...Não gosto da música, mas as letra são fantásticas! ...Na verdade são poemas musicados!!
b) Virús 27? ... Gostamos muito da banda! ... Infelizmente faz muito tempo que não nos vemos!
c) Socialismo: “O Capitalismo é um sistema econômico decadente que aos poucos desaparece, assim como o sol que se põe por detrás das montanhas do Ocidente. E o Socialismo, radiante primavera dos povos, lança os seus primeiros raios de luz sobre a humanidade, afastando as trevas da noite, assim como o sol que se levanta por de trás das montanhas do Oriente”
d) Cuba? ... Atualmente? ... A mais avançada trincheira dos povos oprimidos do “terceiro mundo” contra o “imperialismo norte-americano”!


11. Vale a pena fazer rock no Brasil? Qualquer comentário ou mensagem pra molecada que queiram deixar, sintam-se a vontade...
Vale a pena fazer rock no Brasil? ... Se for para ganhar dinheiro, tentar viver da música ... Lógico que não (nenhum de nós dos Garotos Podres vivemos da banda, todos trabalhamos em alguma coisa!) ... Acho que hoje, só faz rock’n’roll no Brasil, quem realmente gosta e sente prazer no que faz! ... Quem quiser conhecer um pouco mais da banda, é só acessar a nossa hp: http://www.garotopodre.cjb.net/ Um abraço a todos!

Veja também:

-Leia resenha sobre o primeiro disco dos Garotos Podres, "Mais podres do que nunca"
-Conheça as bandas que fizeram história no Punk 77 inglês

terça-feira, 20 de abril de 2010

Entrevista com João Gordo - Ratos de Porão

-Leia todas nossas entrevistas

Se eu tinha um objetivo nos idos de 2003, quando tocava o Zine Kaos com meu irmão e o amigo TiTi Montanari, esse era entrevistar João Gordo - vocalista do Ratos de Porão e VJ da Mtv. Gordo ainda não tinha assinado contrato com a emissora do Bispo, mas era alvo de críticas de anarcopunks e dadosdollabelas da vida. Foi uma das melhores entrevistas por e-mail que eu fiz.

***

Apesar dos vários problemas de saúde e das constantes críticas ao seu trabalho de VJ na MTV, João Gordo continua com seu espírito crítico e debochado. Vocalista de uma das maiores bandas do punk brasileiro, o Ratos de Porão, o músico destilou em entrevista concedida por e-mail no dia 24 de março de 2003 comentários mordazes que escarramn em alvos desde a cena punk paulista até a atual guerra no Iraque.

por Fred Di Giacomo

O Ratos de Porão é talvez a banda mais perseguida pelos auto-intitulados "anarco-punks", o que vocês acham desse patrulhamento ideológico? Tem hora que a "cena"
enche o saco?
João Gordo Perseguida? Perseguida nada .... Não me sinto perseguido... Oprotestinho desses caras é tão insignificante que nunca causou efeito nenhum. Estou na estrada pondo minha cara pra bater há mais de 20 anos e sempre vi gerações e mais gerações de idiotas aparecer e sumir. Moleques que nos criticam hoje serão absorvidos pelo sistema de amanhã. Hoje anarco, amanhã casado, P.M., pai de família, crente, soro positivo, etc.

Como rolou essa volta no "Onisciente Coletivo" ao som mais trash com letras politizadas?

João Gordo Bem, pra fazer esse disco foi mó embaço, tivemos vários problemas, tocamos pra caralho e quando desencantou saiu tudo de uma vez . Não planejamos "o grande retorno ao trashcore" saiu tudo naturalmente... As letras também, não forçamos barra nenhuma para parecer politizados.

Dá pra perceber pelas letras do último cd que o atentado ao World Trade Center marcou bastante a banda, o que vocês pensam a respeito do ataque e da atual possibilidade de guerra entre Estados Unidos e Iraque?

João Gordo  O plano dos cowboys republicanos do Texas esta dando certo, Bush está conquistando o mundo e usaram o 11 de setembro como pretexto para iniciar a sua doutrina fascista de imperialismo radical. Quem será o próximo? A Coréia do Norte? O Brasil? Vale lembrar que os caras só metem o bedelho onde
há interesse econômico. A Coréia do Norte não tem porra nenhuma e nós temos a Amazônia .

O que vocês têm ouvido atualmente? Tem alguma banda nova com a qual vocês se identificam?
Tenho ouvido uma pá de bagaceira tipoLimpwrist que é uma banda sex gay do ex-vocalista dos Los Crudos, fudido, velha escola de primeira, Asesino disco solo do guitarrista do Brujeria (leia-se Dino Cezares). Detão dos infernos as vezes lembra ratos. World Burns To Death crustão desgraçado dos U.S.A. parece que os caras tão tocando por aqui.... Sem contar as bandas nacionais como Descarga, Presto? Mukeka
di Rato, Forgotten Boys, muito punk antigo e rock pauleira dos anos 70, yeah!

Gordo, todo mundo sabe que você é um grande fã de rap. Você acha que o hip hop brasileiro foi o "punk" dos anos 90? Como você vê o movimento hoje em dia?
Olha, eu nunca vi nada de construtivo feito pelos punks de SP em toda minha vida a não ser violência gratuita, inveja, despeito, hipocrisia, fascismo... Pode até ter caras legais e bem intencionados por aí com boas idéias e o caralho, mas é a minoria ... Nos anos 90 tudo aquilo de contestação revolta que vinha da periferia foi agitado pelos manos do rap com um movimento forte e o objetivo social voltado contra o racismo e melhorias na comunidade onde eles vivem. Pode se dizer que o rap salvou muito carinha
por aí.

Há possibilidade do lançamento do Split com o Cólera e de uma edição nacional do "Sistemados pelo Crucifa"?
O Split com o Cólera é um disco raríssimo, que o charme dele é ser fora de catálogo... Prefiro ele difícil assim mesmo. O "Sistemados pelo Crucifa" em abril estará nas bancas com uma revista colorida com pôster gigante do Ratos. Era pra ter saído em 2000, mas ce tá ligado que sempre pinta um embaço.

Recentemente o RDP excursionou com a formação original (Jão, Betinho e Jabá), de onde veio essa idéia? Vocês ainda mantém contato com todos os ex-membros do Ratos?
 Estamos parados desde agosto do ano passado quando fiquei doente com problemas de obesidade...
Então os caras cada um foi fazer alguma coisa, enquanto eu me tratava. O Boka foi tocar bagaceira no I Shot Cyrus, o Fralda foi tocar no Forgotten Boys e o Jão montou o Ratos original pra ganhar um pixo com os caras que são camaradas lá da vila Piauí. O RDP monstro volta em junho para lançar o "Onisciente Coletivo" por aí.

Como andam Sexo Drogas e Rock N' Roll na vida do RDP? Os problemas de saúde mudaram sua opinião sobre as drogas?
Não uso mais porra nenhuma e estou bem melhor assim . Sem drogas o sexo e o rock`n roll fluem bem melhor.

-Assista ao trailer de Guidable, filme sobre o Ratos de Porão

Cara, agora voltando um pouco no tempo. A entrada do Boka mudou o som da banda? Porque o cara realmente é o melhor batera de hardcore do Brasil... O Spaghetti saiu tretado com vocês?
O Boka já toca com agente á 12 anos ele é foda, uma máquina de hardcore. Ele é a mola mestra da "fudidês" do Ratos. Nunca mais vi o Spagheti....

Dá pra comparar a cena punk dos anos 80com a "cena" punk atual? A qualidade das primeiras bandas era bem mais precária, os instrumentos eram todos vagabundos, mas o punk era bem mais forte (pelo menos em São Paulo)
Era tosco mas era verdadeiro. Havia romantismo porque era tudo era mais difícil, era época da ditadura e a
repressão da policia era foda. Hoje em dia é o mó boi, tá tudo aí mastigadinho na internet .

Como foi transformar-se de mais um punk fodido de SP num dos mais populares VJ's da MTv, apresentador de alguns dos maiores sucessos de audiência do canal? Como o resto da banda lida com isso? Às vezes você não se cansa dos jornalistas te procurarem mais pra falar da sua vida que do Ratos?
Eu estou cagando pro trabalho na MTV. Como você que trabalha na Ford ou em qualquer outra multinacional, para mim é apenas um trampo que pintou mais nada.... Como não sou trouxa agarrei, mas veja bem, não tive que mudar um milímetro para conquistar esse espaço e querendo ou não nunca deixei de dar força ao underground. Se não pode derrotá-los, junte-se a eles e comece uma infecção...

O sucesso te incomoda?
Sim, mas incomoda mais outras pessoas.

Agora as infames questões rápidas. O que vocês pensam a respeito de:
a)"Cena Punk" Prefiro falar sobre cena underground.....
b)Legalização da Maconha Sou contra . Só ia beneficiar as companhias de tabaco.
c)Rock Nacional Farsa comercial
d)Assassinato do Sabotage Chorei...

Vale a pena fazer rock n' roll no Brasil?
João Gordo - Não.

Veja também:-Garotos Podres falam sobre as acusações de nazismo

-João Gordo desce o cacete nos Los Hermanos em vídeo de 2007
-Entrevista com Rodrigo, do Dead Fish

sábado, 1 de agosto de 2009

Poesia Punk - Frico

- Te gustas el punk rock?

Arrotada na sarjeta pelo velho punk que parece um hippie
A poesia punk é popular e undeground, feita com pressa como uma trepada mal feita
Escrita com os culhões como um livro do Bukowski
Com o improviso do cinema do terceiro mundo
Afiada como as unhas compridas do Zé do Caixão
Afinada como a guitarra distorcida dos Ratos de Porão
A poesia punk, coitada, é xerocada e vendida nos semáforos por moedas
É recitada em imundos saraus regados a vinho e marijuana
É implorada por putas tristes e carentes de carinho e lirismo
A poesia punk é preto e branca como as páginas de um zine xerocado
É barata como uma dose ácida de rabo de galo
Sangrenta como um filme de terror barato
E recheada de furos como a sola do meu sapato


-Contos por mim cuspidos com carinho
-Documentário conta a história do punk nacional nos anos 90
-Entrevista com os Garotos Podres

quarta-feira, 30 de junho de 2010

"Não devemos nada a você", Daniel Sinker

-Conheça a autobiografia de Dee Dee Ramone

As coisas à sua volta acontecem muito rápido, você está ansioso pra fazer alguma coisa, mas não sabe por onde começar? Calma! Respire, compre (baixe ou roube) o livro “Não devemos nada a você” e leia todas as 30 entrevistas até o final. Pronto, agora você pode montar sua banda, seu coletivo, sua ONG ou sua própria gravadora. Você pode até mesmo sonhar em mudar o mundo e ter exemplos concretos de gente que trabalhou pra isso.

Inspiração é o que transborda das quase 300 páginas de conversas com figuras importantes da cena punk/alternativa americana que falaram com a revista Punk Planet, em seus 13 anos de vida. E lá estão veteranos do punk rock como Jello Biafra(ex-Dead Kennedys) e Ian Mackaye(ex-Minor Threat e Fugazi), mas também grupos novos como The Gossip e Los Crudos. Artistas hype como Miranda July, pensadores como Noam Chomsky e produtores como Steve Albini. Todos unidos pela vontade de fazer as coisas de forma independente, de achar uma alternativa ao status quo. “Do it yourself” grita para o leitor cada entrevista.

É bacana conhecer uma cena onde punk ou atitude alternativa não são coisas só de meninos rebeldes ou de figuras uniformizadas com moicanos e coturnos(nada contra moicanos, só contra padrões). Muitas das vozes de “Não devemos nada a você” saem de pessoas que vivem daquilo há anos. Que realmente fazem coisas práticas - como ajudar mulheres a abortar ou levar mantimentos para o Iraque – para mudar nossa sociedade. Pra quem se interessa por imprensa alternativa, rock, punk ou cultura independente é item obrigatório. Pra quem não se interessa por nada disso, é uma forma inspiradora de começar.

-Leia alguns contos punks, se tiver coragem.
-Todos livros explosivos que resenhamos


Capa da edição gringa - bem mais bacanuda que a nossa, né?



É só isso?
Não, também tem entrevistas com Thurston Moore(Sonic Youth), Bob Mould(Hüsker Dü & Sugar), Black Flag, Kathleen Hanna(Bikini Kill & Le Tigre), Sleater-Kinney, Porcell(Shelter), entre vários outros.




NÃO DEVEMOS NADA A VOCÊ

Organização e edição: Daniel Sinker
Edições Ideal
308 p. / R$ 40
www.idealshop.com.br


Daniel Sinker, criador da Punk Planet

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Minhas canções favoritas

Lista orginalmente publicada no blog "Depredando o Orelhão".


01) "Samba do Arnesto" - Adoniran Barbosa
Acho que foi daí que surgiu meu gosto pelo humor na música. O Adoniran era sambista e comediante e, entre outros clássicos ("Trem das Onze", "Saudosa Maloca"), ele compôs "Samba do Arnesto" que eu e meus irmãos adorávamos quando éramos crianças. O Little Quail regravou numa versão rock 'n' roll suja anos depois.

2) "Maracatu Atômico" - Chico Science e Nação Zumbi
Tem um monte de música do Chico Science e Nação Zumbi que eu adoro. Resolvi escolher pelo valor sentimental mesmo. Essa foi a primeira música que grudou no meu ouvido em 1996, ano que a banda lançou o "Afrociberdelia", disco que mudou minha vida. Meu pai deu de aniversário pra minha mãe e eu não consegui parar de ouvir. Foi daí que começou minha obsessão com a música e nesse disco estavam os limites que ela deveria ter: nenhum limite. Um ano depois meu primeiro fanzine chamou-se Afrociberdelia.

3) "Roots" - Sepultura
Foi outro disco que fez minha cabeçea em 1996, quando eu tinha 12 anos e me jogou pro som pesado. Meu pai comprou porque tinha "músicas com índios". Eu e meu irmão viramos fãs e a patir daí começamos a ouvir "Black Sabbath", "Ratos de Porão" e outras bandas de rock pesado

4) "O Dotadão Deve Morrer" - Ratos de Porão
Essa foi a segunda mudança na minha vida. Eu já gostava de música e começara a tocar violão. Mas quand ouvi o "Feijoada Acidente?" do RDP em 1998 resolvi virar punk, espetar o cabelo e tocar baixo. Essa música, uma versão da original dos gaúchos do Cascavelletes, tinha um solo de baixo do Pica-Pau que me fez querer tocar o instrumento, uma letra engraçada e uma pegada nervosa. A partir dai as calças se rasgaram, os zines brotaram e as bandas se formaram.

5) "Mantenha o Respeito" - Planet Hemp
Das bandas de rock nacional dos anos 90 o que eu mais gostava eram os mangueboys, o escracho do "Funk Fuckers" e o "Planet Hemp". Especialmente o primeiro disco "Usuário" que era mais rock 'n' roll. "Mantenha o respeito" era uma música que todas bandas de gararem em Penápolis tentaram tocar em algum momento. E o "Planet Hemp" era a banda que unia a maloquerada fossem maconheiros, skatistas, roqueiros ou rappers

6) "Periferia é Periferia" - Racionais Mc's
Ouvi Racionais Mc's a primeira vez no rádio. "Homem na Estrada" ou "Fim de Semana no Parque". Ganhei o "Sobrevivendo no Inferno" logo que saiu e escutei muito o disco. A primeira audição foi cuidadosa, prestando atenção a cada verso como se fosse um filme. Só fui sentir o mesmo impacto quando assisti "Cidade de Deus" anos depois. Gostava de ficar imaginando "Periferia é Periferia" na minha cabeça quando andava pelas ruas esburacadas da minha rua suburbana em Penápolis.

7) "Aneurysm" - Nirvana
Um dos primeiros shows de rock que assisti foi de uma banda do colégio chamada Dr Ratazana. A banda de abertura tocou Aneursym do Nirvana. Parecia uma música simplesmente perfeita. A raiva, a bateria animal, o vocal gritado, a guitarra suja. Na minha adolescência Nirvana tinha a mesma importância que Beatles.

8) "Around The World" - Red Hot Chili Peppers
Eu já era punk e tocava baixo quando minha prima me deu o Californication do Red Hot Chilli Peppers em 1999. Nunca tinha prestado atenção direito nos pimentinhas, mas esse disco me fez querer tocar que nem o Flea. Seus slaps e linhas grooveadas, sem perder a agressividade, foram meus professores nas 4 cordas. Lembro de ficar assistindo um VHS da banda ao vivo pra aprender a fazer slap.

9) "Papai-Noel" - Garotos Podres
Foi o primeiro hit que minha primeira banda, "Andarilhos" tocou. Ouvi essa música milhares de vezes na versão do RDP e do Garotos. Toquei ela por uns 3 ou 4 anos. Tinha um rebeldia misturada com humor que parecia a combinação ideal. Quando a tocávamos, arremsávamos uma cabeça de papai noel de papel e algodão pra galera destroir.

10) "My Brain Is Hanging Upside Down (Bonzo Goes to Bitburg)" - Ramones
Escolher uma música do Ramones é difícil. Eles foram uma das minhas bandas favoritas por muito tempo. Lembro que em Penápolis tinha um cara que se auto-intitulava "André Ramone" e fazia um monte de perguntas para qualquer um que usasse uma camisa do Ramones ou do RDP. Era como se você tivese que se esforçar para pertencer àquele seleto e empolgante clube de moleques com camisetas pretas ouvindo punk rock, discutindo qual era a melhor formação do Ramones e tentando entender a história do filme B que eles estrelaram (Rock n' Roll High School) com áudio em inglês e legendas em japonês (!!!). Depois dos Ramones, qualquer um podia montar uma banda e ser roqueiro, mesmo se você fosse um caipira esquecido numa cidade minúscula chamada Penápolis.

11) "Concrete Jungle" - Bob Marley and The Wailers
Minha mãe ouvia bastante Bob Marley, mas eu só prestei atenção no reggae quando entrei na faculdade e meu tio me deu o vinil do "Catch a Fire". Aquela primeira música, "Concrete Jungle", tinha um sentimento que eu só havia encontrado nas músicas dos Racionais. Um grito de dor e sobrevivência, embalado por um riff grudento, baixo balançante e vocais suaves.

12) "Search and Destroy" - Iggy And The Stooges
Depois que entrei na faculdade deixei de só ouvir punk rock puro e comecei a escutar MPB e bandas de garagem. Entre as bandas de garagem a que eu fiquei fã foi o proto-punk dos Stooges. "Search and Destroy" é o exemplo de canção de rock perfeita, que eu queria ter escrito. Riff selvagem, vocal gritado e a sensação de liberdade que entra pelo seu ouvido junto com a distorção de guitarra.

13) "Lugar do Caralho" - Júpiter Maçã
O rock gaúcho foi uma das principais inspirações para o meu lado "punk brega". Sempre me liguei nas letras e as do Júpiter Maçã eram muito boas em "A sétima efervescência"(um dos melhores discos do nosso BROck) Alguns anos depois descobri outra banda de Júpiter, Cascavelletes, e o impacto foi semelhante.

14) "Guiné Bissau, Moçambique e Angola" - Tim Maia
Muita gente pirou no Tim Maia Racional durante a universidade e eu fui um deles. Fui descobrindo música por música, desde "O Caminho do Bem" presente na trilha sonora de Cidade de Deus, até baixar os dois discos inteiros. A sonoridade presente nessas duas bolachas é simplesmente genial. E a percurssão e linha de baixo de "Guiné Bissau", são hipinotizantes. A partir desse disco passei a ser mais um atrás do groove perfeito.

15) "Rap é Compromisso" - Sabotage
Depois dos Racionais, o único rapper que realmente me enfeitiçou foi Sabotage. Além de ser uma figura cativante, Sabota era dono de uma musicalidade única que infelizmente não pode ser totalmente explorada devido a sua morte prematura. Ouvi muito esse disco durante anos.

16) "Take It Easy My Brother Charles" - Jorge Ben
Jorge Ben sempre teve pra mim o sabor de felicidade. Desde pequeno ouvindo seus vinis às festas dançando até o sol raiar suas músicas swingadas. Influenciou diretamente meu jeito de compor e minha tentativa de reproduzir seu swing na mão direita. Pra mim a mistura ideal era a agressividade do punk, o swing de Ben e as letras do Roberto.

17) "Detalhes" - Roberto Carlos
Roberto e Erasmo Carlos são dois compositores geniais, que conseguem pinçar cenas do cotiano e transformá-las em poesia, com a qual qualquer pessoa se identifica. De todos os compositores que podem ser chamados de "românticos" ou "bregas" Roberto é o que mais me influenciou. Para mim os grandes modelos de composições pop perfeitas são as músicas dos Beatles e do Roberto.

18) "Preciso me Encontrar" - Cartola
Toda vez que ouço essa música do Cartola sinto-me emocionado. Acho que esse tipo de música é mágico, te leva para algum lugar nostálgico, como um dia de chuva que desperta lembranças boas.

19) "Bachiana nº 5" - Villa-Lobos
Não sou muio fã de música clássica, mas essa peça em especial se tornou uma das minhas músicas preferidas. A primeira vez que ela me chamou a atenção foi numa versão do grupo mineiro "Uakti". E aquele tipo de música que quando toca te faz sentir bem.

20) "Canto de Ossanha" - Baden Powell & Vinícius de Moraes
Depois dos 22 anos, os acordes do punk rock para mim, foram dividindo seu espaço com algumas das canções de música brasileira, especialmente as músicas com raízes negras. "Canto de Ossanha" tem uma sequência de acordes que me chama a atenção desde que a ouvi no sampler de Marcelo D2 na música "1967". O documentário sobre Vinícius é para mim um grande exemplo de amor à música e à vida.

21) "O Tempo" - Cidadão Instigado
Compus uma música ("De que vale um real?") na primeira vez que assisti ao show do "Cidadão Instigado", em São Paulo. È uma das bandas recentes que mais me agradam. Sua mistura de rock setentista com música romântica é algo que inspira minhas composições no Milhouse. E a guitarra de Catatau é um show a parte.

DOWNLOAD: http://www.mediafire.com/?5tjxyzminin

Bônus:

"Balada do Corno" - Os Milhouse
Balada do Corno - banda Milhouse 2.0



Como bônus uma música do Milhouse. Compus "Balada do Corno" com meu irmão Gabriel sentando na minha cama, numa tarde em São Paulo. Tínhamos nos reunido para escrever "Velho Veado", e a "Balada do Corno" acabou vindo de bônus. Não demos muita bola na época, mas acabou se tornado um dos "crássicos" do Cuecas Rosas, virou hit do "Milhouse" e ganhou uma versão até do humorista Marcelo Adnet. Gostaria de consguir escrever algo tão simples e eficiente como essa música de novo.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Coração Envenenado: Minha Vida com os Ramones, Dee Dee Ramone, com Veronica Kofman

-Que tal um pouco de literatura punk?

Mini-Resenha da autobiografia do principal compositor dos Ramones



“Coração Envenenado” não traça um panorama completo da cena que deu início ao punk como “Mate-me por favor”. Não é uma biografia detalhada do quilate do “Anjo Pornográfico” sobre Nelson Rodrigues ou “Vale Tudo”, sobre Tim Maia. É principalmente um livro para fãs de Ramones. Narrado em primeira pessoa, como se fosse uma longa entrevista cedida por Dee Dee Ramone, “Coração Evenenado” é subjetivo, um pouco ingênuo e sem muitas firulas. Como as músicas de Dee Dee, principal compositor e ex-baixista dos Ramones.

-Leia resenha do primeiro disco dos Ramones

Ele vai narrando, sem tomar muito fôlego, como foi sua infância infeliz na Alemanha, como eram seus pais, sempre bebendo e brigando, como foi sua adolescência na Nova York de “Taxi Driver”, seu envolvimento com crime e drogas, muito antes de ter pelos na cara. Dee Dee Ramone era um junkie marginal, para quem a única salvação era a música. Se tivesse nascido no Brasil de hoje, ele faria Rap mais violento que “Facção Central”. Ele não tocava bem, mas compôs alguns dos maiores clássicos do punk como “Blitzkrieg Bop”, “Pet Seamatery” e “Poison Heart”, só para ficar entre os mais conhecidos. Ele parece não ter noção da importância das coisas que ia vivendo. Para Dee Dee, cada dia é só mais um dia que ele conseguiu sobreviver, seja o primeiro show dos Ramones na Inglaterra, influenciado toda uma geração de bandas que vão de Sex Pistols à Clash, seja uma noitada com membros do New York Dolls ou do Blondie.


Em todo livro ele avisa que se acha muito sortudo por estar vivo. Que a história de um Ramone não pode ter um final feliz. E ela não tem. No epílogo somos lembrados que Douglas Calvin, o Dee Dee, morreu num quarto de hotel, em 2002, aos 49 anos. Os Ramones eram caras fodidos e durões, mas que conseguiram fazer músicas enérgicas que passam longe da depressão bundona. Eles enfrentaram seus demônios com distorção e velocidade. E isso é o mais importante de toda história.

-Mais punk rock!
-Frases punk

terça-feira, 21 de julho de 2009

Hardcore 90 - Uma História Oral

-Quer ler mais sobre punk rock?

Descobri, lendo o Zona Punk, um projeto de documentário bem legal que o Marcelo Fonseca está tocando. Trata-se de "Hardcore 90 - Uma história Oral", que pretende contar a história do hardcore brasileiro nos anos 90(de 1989-2000). É segunda geração do punk tupiniquim, depois que Ratos de Porão e Cia abriram as portas pro estilo a coturnados nos anos 80.

Vivi um pouco dessa época quando estava começando a tocar(tive bandas punk entre 1999-2002, comecei a ouvir o estilo lá por 97). Lembro de baixar músicas do Blind Pigs e Gritos de Ódio na net, assistir um show do Mukeka di Rato em Bauru, e esperar ansioso que meu amigo Marcão trouxesse os últimos discos do Dead Fish, Street Buldogs e Gritando HC direto da Galeria do Rock, em São Paulo. Galeria que pra gente era a Dineylândia punk, o sonho de todo moleque roqueiro que se escondia no meio do mato.

Abaixo separei duas entrevistas feiras pelo Marcelo para o documentário. São de membros de duas bandas que, apesar de bem diferentes, eu ouvi bastante na época. Eles falam sobre os primeiros shows e a Verdurada


Túlio(DFC)



Leonardo Kobbaz (Street Buldogs)

-Veja o trailer de "Guidable", documentário sobre o RDP

-Assista "Erga-te" documentário tri-legal sobre a Graforréia Xilarmônica

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Winston Smith - Arte Punk

Arte punk, grunge, nova ou só bonitinha mesmo: toda quinta, aqui tem.

Se você é fã de Green Day já sabe de onde saiu a capa do quarto disco da banda "Insomniac"(foi da ilustra acima, oras...). Mas Winston Smith(1952, codinome retirado do livro "1984") ficou famoso pela associação com outra grande banda punk, o Dead Kennedys. O artista foi o responsável pelo famoso logo da banda e também pela polêmica capa do EP "In God We Trust Inc.", que fez o álbum ser chutado da Inglaterra e perseguido nos EUA. Suas colagens retiradas de revistas dos anos 40, 50 e 60 foram publicadas em revistas mainstream e undeground como Wired, Planet Punk, Spin e Playboy.

-Mais punk rock
-Livro reúne entrevistas com Winston Smith e outros artistas undeground



sexta-feira, 30 de outubro de 2009

mate-me por favor




-Já leu poesia punk?


Para a revista Rolling Stone ele é o 33º melhor disco da história. Para qualquer moleque de calça rasgada e all star ele é seu motivo de existir. Uma dos pedaços de vinil mais influentes da música pop. Sua duração é de 29:04s. Seu custo total de produção foram míseros $ 6400, numa época onde, segundo o próprio Joey Ramone no livro “Mate-me, por favor”, gastava-se meio milhão para produzir um álbum. E esse não era qualquer álbum; ele criou o punk, revolucionou o rock do final dos anos 70 e deu origem a centenas de bandas. Dos Sex Pistols ao Metallica, do Red Hot Chili Peppers aos Ratos de Porão, a influência do primeiro disco dos quatro magrelos de Nova York foi devastadora.

É difícil explicar hoje a importância desse amontoado de 3 acordes tocado com velocidade e paixão, sem riffs difíceis, solos de guitarra ou viradas de bateria. Aqui no Brasil, seria como se os Racionais Mc’s tivessem um som tão agressivo quanto o Sepultura e criassem, em seu primeiro disco, a Bossa Nova ou a Tropicália. Estávamos nos Estados Unidos, em 1974. O que existia de mais agressivo no rock era o som de MC5, Stooges e New York Dolls. As três bandas tinham um sucesso mediano, mais undeground, e seu som era uma transição do hard rock para o que se chamou punk. O que mais lembrava o que os Ramones viriam a fazer era o primeiro (e cru) disco dos Stooges. Mas nesse, você encontra uma música de mais de dez minutos (“We Will Fall”) e aqui a música mais comprida tem 2:39s(“I don’t Wanna Go Down to The Basement”). E as rádios? Eram dominadas pelo progressivo de Yes e Genesis, pelo hard rock virtuoso de Led Zeppelin e pela discoteca do saltitante John Travolta. O sonho hippie tinha acabado, os Beatles também. A América Latina, o leste Europeu e grande parte da Ásia viviam sob ditaduras. O mundo em constante ameaça atômica era uma ressaca claustrofóbica.

Blietzkrieg bop






A primeira coisa que chama a atenção no disco é a capa. Quatro cabeludos, com jaquetas de couro pretas – como as de Marlon Brando e James Dean – calças rasgadas, tênis surrados e caras desafiadoras estão encostados numa parede pichada. Eles parecem te provocar, loucos pra te dar uma porrada. A única coisa escrita lá é o nome da banda “Ramones” – uma referência ao nome que Paul Mccartney usava para se registrar em hotéis. O disco começa. A porrada vem em forma de grito de guerra. Hey ho let’s go. Um ataque relâmpago fala de blitzgrieg, estratégia militar que fez os nazistas dominarem metade da Europa no começo da Segunda Guerra Mundial. Ah, vale lembrar, o alemãozinho Dee Dee Ramone tem fascinação pelo nazismo. O desengonçado Joey Ramone – já internado em clínicas psiquiátricas - berra “espanque o moleque com um taco de beisebol”. Da onde vem tanta raiva? Dee Dee foge de uma família problemática, Johnny ralava como pedreiro. O lirismo se esconde nos backing vocals que fazem referência a grupos vocais dos anos 60. “I Wanna Be Your Boyfriend” quebra o clima, uma balada romântica já pavimenta o caminho que os Buzzcocks, e mais pra frente os emos, vão seguir. “Os punks também amam”. “Now I Wanna Sniff Some Glue” repete milhares de vezes a mesma frase. Os moleques entediados lá de “1969” de Iggy Pop agora gastam o tempo cheirando cola, arrumando brigas e fazendo barulhos com suas guitarras toscas, ou serras elétricas, em “Chain Saw”. A contagem para todo mundo entrar junto – que se tornou marca registrada do grupo – aparece pela primeira vez em “Listen To My Heart”. “1,2,3,4” grita Dee Dee, baixista e principal compositor. Ele vai voltar a urrar em uma das partes de “53rd and 3rd” uma das mais sérias e tristes do álbum. É sobre o tempo em que o músico ficava nas esquinas de Nova York fazendo michês. O disco ainda traz como destaque o cover “Let’s Dance”(e gravar clássicos do rock ‘n’ roll em versões cruas seria uma marca da banda) e “Today your Love, Tomorrow the World”.

Havana Affair/Listen To my Heart






-Entrevista com os Garotos Podres


Pronto, menos de meia-hora e a surra acabou. Aqueles punks saídos do filme “O Selvagem”(com Marlon Brando), que soavam como uma canção de Iggy Pop e queriam cantar como se fossem os Beach Boys devem estar cheirando cola em outro lugar. Seu álbum não fez nenhum sucesso nos EUA. Só foi bem recebido quando o quarteto excursionou pela Europa e influenciou meio mundo – Clash e Sex Pistos incluídos, dando origem ao movimento punk e todo hype em cima da coisa. Dessa árvore cairiam os frutos podres do hardcore, trash, crossover, grunge, emo e outros estilos musicais.

Era isso. Letras diretas sobre o cotidiano do mundo white trash - os brancos pobres e desajustados dos EUA. Som distorcido, rápido e sem firulas. Refrões fortes. Backing vocals melodiosos. E o rock nunca mais seria o mesmo.

Leia para saber mais:
“Mate-me, por favor”, "Legs" McNeil e Gilliam McCain
“Coração envenenado” – Dee Dee Ramne e Veronica Kofman