Mostrando postagens com marcador zine kaos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador zine kaos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 20 de abril de 2010

Entrevista com João Gordo - Ratos de Porão

-Leia todas nossas entrevistas

Se eu tinha um objetivo nos idos de 2003, quando tocava o Zine Kaos com meu irmão e o amigo TiTi Montanari, esse era entrevistar João Gordo - vocalista do Ratos de Porão e VJ da Mtv. Gordo ainda não tinha assinado contrato com a emissora do Bispo, mas era alvo de críticas de anarcopunks e dadosdollabelas da vida. Foi uma das melhores entrevistas por e-mail que eu fiz.

***

Apesar dos vários problemas de saúde e das constantes críticas ao seu trabalho de VJ na MTV, João Gordo continua com seu espírito crítico e debochado. Vocalista de uma das maiores bandas do punk brasileiro, o Ratos de Porão, o músico destilou em entrevista concedida por e-mail no dia 24 de março de 2003 comentários mordazes que escarramn em alvos desde a cena punk paulista até a atual guerra no Iraque.

por Fred Di Giacomo

O Ratos de Porão é talvez a banda mais perseguida pelos auto-intitulados "anarco-punks", o que vocês acham desse patrulhamento ideológico? Tem hora que a "cena"
enche o saco?
João Gordo Perseguida? Perseguida nada .... Não me sinto perseguido... Oprotestinho desses caras é tão insignificante que nunca causou efeito nenhum. Estou na estrada pondo minha cara pra bater há mais de 20 anos e sempre vi gerações e mais gerações de idiotas aparecer e sumir. Moleques que nos criticam hoje serão absorvidos pelo sistema de amanhã. Hoje anarco, amanhã casado, P.M., pai de família, crente, soro positivo, etc.

Como rolou essa volta no "Onisciente Coletivo" ao som mais trash com letras politizadas?

João Gordo Bem, pra fazer esse disco foi mó embaço, tivemos vários problemas, tocamos pra caralho e quando desencantou saiu tudo de uma vez . Não planejamos "o grande retorno ao trashcore" saiu tudo naturalmente... As letras também, não forçamos barra nenhuma para parecer politizados.

Dá pra perceber pelas letras do último cd que o atentado ao World Trade Center marcou bastante a banda, o que vocês pensam a respeito do ataque e da atual possibilidade de guerra entre Estados Unidos e Iraque?

João Gordo  O plano dos cowboys republicanos do Texas esta dando certo, Bush está conquistando o mundo e usaram o 11 de setembro como pretexto para iniciar a sua doutrina fascista de imperialismo radical. Quem será o próximo? A Coréia do Norte? O Brasil? Vale lembrar que os caras só metem o bedelho onde
há interesse econômico. A Coréia do Norte não tem porra nenhuma e nós temos a Amazônia .

O que vocês têm ouvido atualmente? Tem alguma banda nova com a qual vocês se identificam?
Tenho ouvido uma pá de bagaceira tipoLimpwrist que é uma banda sex gay do ex-vocalista dos Los Crudos, fudido, velha escola de primeira, Asesino disco solo do guitarrista do Brujeria (leia-se Dino Cezares). Detão dos infernos as vezes lembra ratos. World Burns To Death crustão desgraçado dos U.S.A. parece que os caras tão tocando por aqui.... Sem contar as bandas nacionais como Descarga, Presto? Mukeka
di Rato, Forgotten Boys, muito punk antigo e rock pauleira dos anos 70, yeah!

Gordo, todo mundo sabe que você é um grande fã de rap. Você acha que o hip hop brasileiro foi o "punk" dos anos 90? Como você vê o movimento hoje em dia?
Olha, eu nunca vi nada de construtivo feito pelos punks de SP em toda minha vida a não ser violência gratuita, inveja, despeito, hipocrisia, fascismo... Pode até ter caras legais e bem intencionados por aí com boas idéias e o caralho, mas é a minoria ... Nos anos 90 tudo aquilo de contestação revolta que vinha da periferia foi agitado pelos manos do rap com um movimento forte e o objetivo social voltado contra o racismo e melhorias na comunidade onde eles vivem. Pode se dizer que o rap salvou muito carinha
por aí.

Há possibilidade do lançamento do Split com o Cólera e de uma edição nacional do "Sistemados pelo Crucifa"?
O Split com o Cólera é um disco raríssimo, que o charme dele é ser fora de catálogo... Prefiro ele difícil assim mesmo. O "Sistemados pelo Crucifa" em abril estará nas bancas com uma revista colorida com pôster gigante do Ratos. Era pra ter saído em 2000, mas ce tá ligado que sempre pinta um embaço.

Recentemente o RDP excursionou com a formação original (Jão, Betinho e Jabá), de onde veio essa idéia? Vocês ainda mantém contato com todos os ex-membros do Ratos?
 Estamos parados desde agosto do ano passado quando fiquei doente com problemas de obesidade...
Então os caras cada um foi fazer alguma coisa, enquanto eu me tratava. O Boka foi tocar bagaceira no I Shot Cyrus, o Fralda foi tocar no Forgotten Boys e o Jão montou o Ratos original pra ganhar um pixo com os caras que são camaradas lá da vila Piauí. O RDP monstro volta em junho para lançar o "Onisciente Coletivo" por aí.

Como andam Sexo Drogas e Rock N' Roll na vida do RDP? Os problemas de saúde mudaram sua opinião sobre as drogas?
Não uso mais porra nenhuma e estou bem melhor assim . Sem drogas o sexo e o rock`n roll fluem bem melhor.

-Assista ao trailer de Guidable, filme sobre o Ratos de Porão

Cara, agora voltando um pouco no tempo. A entrada do Boka mudou o som da banda? Porque o cara realmente é o melhor batera de hardcore do Brasil... O Spaghetti saiu tretado com vocês?
O Boka já toca com agente á 12 anos ele é foda, uma máquina de hardcore. Ele é a mola mestra da "fudidês" do Ratos. Nunca mais vi o Spagheti....

Dá pra comparar a cena punk dos anos 80com a "cena" punk atual? A qualidade das primeiras bandas era bem mais precária, os instrumentos eram todos vagabundos, mas o punk era bem mais forte (pelo menos em São Paulo)
Era tosco mas era verdadeiro. Havia romantismo porque era tudo era mais difícil, era época da ditadura e a
repressão da policia era foda. Hoje em dia é o mó boi, tá tudo aí mastigadinho na internet .

Como foi transformar-se de mais um punk fodido de SP num dos mais populares VJ's da MTv, apresentador de alguns dos maiores sucessos de audiência do canal? Como o resto da banda lida com isso? Às vezes você não se cansa dos jornalistas te procurarem mais pra falar da sua vida que do Ratos?
Eu estou cagando pro trabalho na MTV. Como você que trabalha na Ford ou em qualquer outra multinacional, para mim é apenas um trampo que pintou mais nada.... Como não sou trouxa agarrei, mas veja bem, não tive que mudar um milímetro para conquistar esse espaço e querendo ou não nunca deixei de dar força ao underground. Se não pode derrotá-los, junte-se a eles e comece uma infecção...

O sucesso te incomoda?
Sim, mas incomoda mais outras pessoas.

Agora as infames questões rápidas. O que vocês pensam a respeito de:
a)"Cena Punk" Prefiro falar sobre cena underground.....
b)Legalização da Maconha Sou contra . Só ia beneficiar as companhias de tabaco.
c)Rock Nacional Farsa comercial
d)Assassinato do Sabotage Chorei...

Vale a pena fazer rock n' roll no Brasil?
João Gordo - Não.

Veja também:-Garotos Podres falam sobre as acusações de nazismo

-João Gordo desce o cacete nos Los Hermanos em vídeo de 2007
-Entrevista com Rodrigo, do Dead Fish

sábado, 6 de março de 2010

Nação Zumbi: Da lama ao (zine) KAOS, entrevista em Bauru.

Eu estava no terceiro ano de jornalismo na Unesp-Bauru, e tocava o zine Kaos! com meu irmão. Tínhamos um site(criado pelo Thiago Montanari) e uma edição impressa- ou melhor, xerocada -, que sempre trazia uma entrevista musical nas páginas centrais. Em 2004, a Nação Zumbi veio tocar no Sesc com o dançarino Nelson Triunfo. Eu e o amigo Eduardo Moraes fomos até lá entrevistar os caras. Conseguimos falar com os percussionistas Toca Ogam e Marquinhos, que estavam, digamos, no “caminho do Blunt of Judah”. A entrevista chapada não ficou 100%(tinha um monte de estudante querendo entrevistar os caras pra vários trabalhos e jornaizinhos), mas resolvi ressuscitá-la aqui ao lado de outras entrevistas do KAOS que já republiquei.

***

Toca Ogam no caminho do Blunt of Judah

O dia do trabalhador(01/05) foi comemorado com um dos melhores shows já vistos em Bauru-SP. Dez anos após tocarem no Sesc local pela primeira vez(acompanhando Chico Science), a Nação Zumbi voltou quebrando tudo em uma performance eletrizante. Contaram ainda com a participação especial de um dos primeiros ativistas do hip hop; Nelson Triunfo. Após o show, Fred Di Giacomo e Eduardo Moraes participaram de entrevistas com os artistas, de onde voltaram com hip hop, turnês internacionais e fotos inspiradas de Renato Bueno.

Vamos começar falando da turnê. Onde vocês tocaram no ano passado(2003)?
Marquinhos: A gente saiu do Brasil e tocou num festival conhecido como Omex, tocamos em Sevilha, né, Toca?
Toca Ogam: Sevilha, fizemos Madri também e outras cidades da Europa....

E os discos, foram lançados lá fora?
T.O. :
Sim, o “Rádio S.amb.A.” foi lançado lá, o “Afrociberdelia”...
M: O “Nação Zumbi”...

Como é que o público reage lá?
T.O.:
Quando você vai tocar pra gringo, nas 5 primeiras músicas eles começam só a balançar a cabeça, mas depois eles vão se soltando e começam a dançar, gritar. Lá eles fazem muita ligação da gente com o Olodum.

O que você acha do potencial de misturar a música tradicional com a música eletrônica?
T.O.:
Misturar todo mundo mistura, o negócio é misturar e dar um bom gosto. Não pode ficar amargo.
M.: Misturar e criar um som que continue na estrada não é fácil. Cada dia estão surgindo coisas novas, ideias novas. Você tem que ficar ligado. Ouvindo música, lendo muito, pra poder fazer um trabalho legal. O mercado hoje no Brasil é muito difícil.


Vocês têm uma preocupação social nas letras, o que acham da explosão do movimento hip hop, dos Racionais?
T.O.:
Racionais eu acho foda. Eles têm mesmo que falar, é o trabalho deles.
M.: Eles falam das coisas que acontecem realmente na periferia, na cidade. Eu acho isso maravilhoso.
Como está a cena de Recife hoje?
M.:
Rolou o Abril Pro Rock agora, vocês ficaram sabendo, né? Não deu pra gente estar lá, mas sempre têm festivais. A gente mora em Peixinhos e tem um movimento grande lá. A gente faz festa e está sempre movimentando o bairro. A coisa no nordeste está crescendo cada vez mais, estão aparecendo bandas novas.

Tem bandas novas legais?
M.:
Tem alguns caras que a qualidade da música... Não é só fazer música por moda, sabe? Nego vê a gente tocando, fazendo som e trabalhando pelo mundo e acha que vai ser legal fazer isso, mas não é só isso. Tem que ter a vibe, o groove...

T.O.(interrompendo): O comércio da música é muito grande. Hoje qualquer um grava e eu acho que não é por aí. Tem que ter um respeito pra se fazer música. Tem banda que tem um puta bom trabalho, mas não tem condições, que toca com guitarra emprestada. Você tem que ter coragem, encarar, e no final têm 10.000 nego te aplaudindo. Foda-se o resto. Tem várias bandas que vão atrás de rádio, pra que ir na rádio? Deixa a rádio ir até você.


2004

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Nelson Triunfo: Entrevista com o pioneiro do Hip Hop

-Rap, a poesia

Entrevista realizada originalmente para o Zine Kaos, em 2004, feita quando o ativista do hip hop, b.boy e cantor, Nelson Triunfo, dançou ao lado da Nação Zumbi, em show no dia do trabalhador, no Sesc-Bauru.



***



1)Qual a importância dos fanzines na cultura hip hop?
Nelson Triunfo
- Ele é importante não só para o hip hop, mas pro rock, pro reggae, pra outras comunidades, outras tribos. Contanto que seja um fanzine que tenha informação e passe a informação correta.

2)O que você acha dessas novas bandas, como Facção Central, que tem uma linguagem mais pesada?

N.T.- Cara, faz parte. Eu particularmente não escuto muito não. Porque eu sou um cara que não gosta da coisa que fala só do pesado, eu já tive vários problemas e isso me lembra algumas coisas que eu não gosto muito. Então eu procuro viver o melhor da vida, eu procuro o lado mais positivo.

3)Qual a diferença do cara que só canta rap e do que atua no movimento hip hop?N.T.- Cada um faz uma coisa. No caso do meu trabalho eu sou muito ligado ao lado educativo, ao lado cultural. Eu me sinto feliz em poder orientar as pessoas, fazer workshops. Isso é o hip hop. Tem outros que são artistas mesmo, que sobem no palco, e só fazem show e gravam cd pra lá e pra cá. Eu não sou contra eles, até porque trabalhar o social não é só querer fazer. Você tem que ter um preparo sobre isso, porque muitas vezes você querer se meter a fazer esse trabalho, sem ter o know-how, sem ter o conhecimento pode até atrapalhar a pessoa, passando a informação errada.

4)Como é que você enxerga a literatura da periferia, que é uma coisa que vem crescendo muito?
N.T.- Isso é muito bom.Como é que nós vamos educar nossos jovens, se o livro não tem a realidade deles? Porque, então, eles vão numa oficina de hip hop por livre e espontânea vontade, mas não vão à aula. As próprias professoras pra eles às vezes são bruxas. E isso é complicado. Você vê, meu filho tem doze anos e ontem nós fizemos um show aqui, (onde) ele foi o cabeça do show todinho. Tudo isso é interessante pra ele. Ele faz o show como se estivesse jogando vídeo game. A primeira vez que eu pus ele no palco eu quase chorei de emoção. Eu digo: “Meu Deus o que eu to fazendo com ele aí. Ele quer fazer isso, mas não tem responsabilidade, será que ele vai errar?” E ele tava orientando a banda como tocar... Aí, eu fui vendo que pra ele aquilo ali era diversão, né cara?

5)Pra encerrar, o que você achou de ter participado do show com a Nação Zumbi?
N.T.- A Nação quando começou, o Chico Science gostava muito de mim. Ele sabia que eu era de Pernambuco e quando ele era moleque eu já fazia som com James Brown, Toni Tornado e todo mundo que vinha aqui. E lá (em Pernambuco) eles são pessoas que lêem muito. Eu era do interior, né? Com 15 anos, eu sabia falar sobre o mundo. Conhecia os mapas, os rios. Eu sempre fui 1o. da classe, não talvez porque eu era o mais inteligente, mas porque eu estudava. Eu era um “papa-conhecimento”, tinha isso pra mim como um desafio. E até hoje eu leio muito.

***
Reportagem Kaótica: Fred Di Giacomo, ECM e Renato Bueno(foto).
01/05/2004


-Todas as entrevistas já postadas neste blog

domingo, 17 de janeiro de 2010

Wander Wildner, Replicantes - Entrevista




Wander Wildner foi a primeira pessoa a ficar puta comigo numa entrevista. E olha que, em 2003, praticamente todas as entrevistas pro zine KAOS! eram feitas por e-mail. Lembro que, quando recebi as respostas dele, percebi que o cara não gostou muito das perguntas sobre a "cena punk dos anos 80". Na época, o KAOS! era um zininho punk e eu sempre queria passar a limpo algumas polêmica que lia em fanzines e sites toscos. Uma delas eu matei na entrevista com o Mau dos Garotos Podres, que se defendeu das acusações de serem uma banda nazista.

Eu, com minha experiência de segundo ano de faculdade, achei a entrevista do Wander meio mal-humorada e só publiquei no site, não coloquei no zine impresso. Hoje, acho que foi boa, ele respondendo com ironia o que não gostava, mas também soltando perolinhas de sua filosofia punk brega como: "A vida é muito simples, é só achar algo legal pra fazer! ".

Certo, Wander, a vida é muito simples, e, reajustando as contas com o cara que deu nome pra este blog, aí vai a entrevista com o Punk Brega em carne e osso, na época em que tinha voltado a tocar com os Replicantes:
***


1.Bom, os Replicantes estão com uma turnê internacional marcada, quais as expectativas? Vocês têm alguma noção de quanto o trabalho de vocês é conhecido lá fora?
Acho que eu não tenho expectativas. Vou para fazer shows. Creio que será uma grande aventura, vou para lugares que nunca fui, mas não fico imaginando coisas, apenas me preparo física e psicologicamente para uma série de shows e viagens, acho que vai ser bem legal.

2.Vamos voltar um pouco no tempo. Por que o Wander Wildner saiu da banda e como foi que rolou essa volta?
Saí porque fiquei a fim. Voltei porque eles me convidaram, eu aceitei porque gosto da banda, das músicas, sou um cantor, é uma das minhas profissões.

3.O fato de vocês virem do sul atrapalhou no início da carreira, já que a cena punk mais forte rolava em São Paulo?

Como assim virem do sul? Nós não saímos do sul e fomos para algum lugar. A banda sempre viveu em Porto Alegre e saía para fazer shows, gravar, divulgar. Vocês parecem ter alguma idéia pré concebida sobre bandas, os Replicantes são uma banda original, criamos a nossa própria estrada, somos independentes, mesmo as vezes gravando numa grande gravadora.

4.Hoje em dia como vocês vem o movimento punk dos anos oitenta? Dá pra fazer uma comparação com a cena hardcore atual?
Eu não vejo. Nunca fizemos parte de movimentos deste tipo. O único movimento em que acredito é o meu próprio, de ir e vir.

5. É verdade que rolava um preconceito de bandas punks como RDP e Olho Seco em relação aos Replicantes? Isso ainda acontece?
Não sei. Como não nos preocupamos com isso, não sei. Prefiro usar meu tempo trabalhando.

6. O que tem rolado no aparelho de som de vocês ultimamente?
Walverdes, Os Pistoleiros, Stuart, Beck, Qassis, Bob Dylan, Neil Young, Sonic Youth...

7. Como anda a carreira solo do Wander Wildner? Há planos pra mais lançamentos do "Punk Brega"?
Estou com um disco pronto, procurando parceria para lançamento – chama-se PÁRA-QUEDAS DO CORAÇÃO - e tenho outros projetos.

8. Os discos originais dos Replicantes nunca foram lançados em cd (Só uma coletânea com 20 Hits) , há chance de vermos esses clássicos relançados?
Acho que sim, vamos entrar em contato com a gravadora mais tarde para ver isso.

-Todas as entrevistas postadas aqui





9. Que sons não poderiam faltar na "Festa Punk" dos Replicantes?
Sex Pistols!!!

10. Várias letras antigas da banda tinham uma temática meio apocalíptica, bem Guerra Fria. O que vocês acham dessa volta do clima de tensão depois do 11 de setembro e a Guerra no Iraque?

Acho que o acontecimento do dia 11 serviu para mostrar as possibilidades de futuro que podem acontecer, que a maioria das pessoas não estavam se dando conta.

11. Agora as infames questões rápidas, o que vocês pensam a respeito de :
a) George Bush - UM AMERICANO TÍPICO
b) MPB - ADORO OS CLÁSSICOS E O CORDEL DO FOGO ENCANTADO
c) Engenheiros do Havaí - HUMBERTO É UM MESTRE
d) Anarquismo - LEGAL

12. Vale a pena fazer rock no Brasil?Claro! Se não valesse eu não faria, vivo disso.

Qualquer mensagem ou recado pra molecada sintam-se a vontade...
A vida é muito simples, é só achar algo legal pra fazer!

Replicantes na Alemanha, 2006

-5 bandas gaúchas foda

domingo, 11 de maio de 2008

Dead Fish: Entrevista.


Em algum dia de 2003, entrevistei o vocalista Rodrigo, do Dead Fish. Na época, quase não se falava de emo e o que parecia ser a bola da vez era o "hardcore melódico". O Dead Fish tinha acabado de participar de uma coletânea da Sony e podia ser a próxima banda a estourar como o CPM22.

por Fred Di Giacomo

1. Um dos assuntos que mais tem gerado polêmica em relação ao Dead Fish é a gravação de duas faixas pra uma coletânea da Sony. O que vocês acham de toda essa discussão?

Eu acho que tem que discutir mesmo, cada um tem que colocar seu ponto de vista mesmo, por mais babaca que seja, mas isso acho que não me atinge muito porque penso muito antes de fazer as coisas, e acho que sei o que é melhor pra mim e conseqüentemente pra minha banda, é claro que dentro da banda ninguém pensa igual, o consenso as vezes é bem chato, mas acho que fizemos o que queríamos e ponto.
Eu sou um cara que me tenho como um radical, mas acho que tem gente que confunde profundidade de idéias com dogmas e fundamentalismo... Eu acho o "xiitismo" que vc disse bem
normal quando estamos descobrindo tudo, estamos novos e ainda não pagamos nossas contas, mas as coisas mudam pra todo mundo e cedo ou tarde as pessoas se arrependem de terem se colocado numa postura dogmática cristã.

2. Com a crise do mercado fonográfico(principalmente, segundo as gravadoras, devido aos cds piratas) vocês acham que bandas de rock de verdade como o Dead Fish seriam uma boa opção para as grandes gravadoras?

Valeu pela banda de rock de verdade, hahahahahaha!! Eu também acho isso... As vezes.... hahahahahaha!! Com certeza teríamos um aproveitamento comercial razoável em uma major, mas os caras são meio burros eles querem suceeeeesssooooosss estrondosos que lhes rendam
milhões em alguns dias, e o DF não renderia isso em alguns meses, seria uma banda regular, ali no meio termo, numa major.

3. Como vocês vem a cena punk hoje em dia? Em relação aos anos noventa , a coisa melhorou ou piorou?

Eu não me interesso tanto mais pelos rótulos da coisa toda. Eu vejo que muita coisa melhorou pra caralho de 90 pra cá. A tecnologia ficou mais democrática, se grava melhor, existem mais recursos de instrumentos e formas de gravação, existem um zilhão mais de selos independentes legais por ai que tem uma distribuição se não maravilhosa bem melhor que de 10 anos atrás, eu acho que tinha que ter mais zines e e-zines acho pouco comparado com o que recebia e lia a 6 anos atrás, mas isso eu acho que melhora daqui a pouco...
Agora o que ficou ruim é que a gurizada não dá mais tanto valor a uma demo tape que recebe porque já tem um monte de mp3 em casa guardado, tudo se tornou um pouco mais descartável eu acho, mais economia de mercado mesmo, o punk/hc já não é mais tão perigoso e questionador, acho até que ser tornou meio um "lugar seguro" o que acho ruim em alguns aspectos, isso sem falar que hoje tem muito mais banda mas também muito mais banda ruim sem muito conteúdo.

4. O que vocês tem ouvido ultimamente? Alguma coisa nova?
Tenho ouvido pouca coisa diferente do que ouvia a 1 ano, recebi umas dts/cdr no nordeste e gostei muito do Vende-se de Recife, achei muito muito bom, como não ouvia faz tempo, também ouvi o trio Take me aqui de Vix, a banda é fodona e o Marcelinho que tocava conosco e é do Mono hoje toca bateria. Ah gostei do Inimigo uma banda de SP que ganhei a dt de um amigo, achei muito bom... E o Switch Stance de Fortaleza que lançou um cd bem legal também. No mais é quase a mesma coisa, Tim Maia, Jamelão, Discarga, Presto, Hot water music, Bad Religion, Zé Maria e At the drive in....

5. Tem um lance que eu ainda não entendi. Por que a banda de uma parada entre 96 e 97?

Meu pai morreu em 96 e ai dei uma desanimada mas foi por pouco tempo, eu acabei assumindo por uns meses o vocal do Pé do Lixo, dai voltamos com o DF em 97.

6. Como a troca de guitarrista influenciou o som do grupo? O que vocês acham do "Zé Maria"?

Ainda não deu pra perceber muito isso porque não estabilizamos mais com nenhum guitarrista, mas acho que esta troca prejudica principalmente pra compor coisas novas...
Eu gosto pra caralho do Zé Maria, acho que o Marcel fez a melhor coisa do mundo não aceitando voltar pro DF. Acho ele um dos caras mais criativos do mundo, ele cria na guitarra, no computer, teclado e caralho a 4, sou um puta fã da banda e dele também.

Dead Fish tocando o hit "Noite":


7. Depois da vitória do Lula nas eleições o país todo ficou com um clima de "esperança", mas é óbvio que só o cara não vai mudar tudo sozinho. Como vocês, que tem uma posição política forte em suas letras, vêem a atual situação do país?

Foi a primeira vez que não votei nele, nas outras 3 vezes eu votei... Eu acho o seguinte ele teve que mudar a postura meio que pro centro pra ganhar a eleição, meio que pra se moldar ao conservadorismo do povo brasileiro e achei isso ruim, dai não votei nele. Mas sinceramente acho que ele vai ser o melhor presidente dos últimos 500 anos de Brasil, acho mesmo, ele não vai ser tão desonesto quanto todos os outros que estiveram lá, e tem um aspecto legal que o congresso também deu uma guinadinha mais a esquerda o que vai fomentar mais discussões abertas do que aqueles acordos de bastidores que vemos sempre.

8.É óbvio que a entrevista é sobre música, mas eu não posso deixar de perguntar. Como vocês estão vendo toda essa crise no Iraque?

O EUA são o cagalhão do século, o que eles plantaram vão colher, o Oriente Médio é um dos poucos lugares onde eles não tinham imposto sua "Pax" ainda, admiro o povo árabe por isso, porque são capazes de resistirem a quase

tudo culturalmente falando, isso sem xiitismo que o ocidente mostra e tal, tirando as ditaduras, os paises árabes mais "estáveis" são muito tolerantes. Este Bush é um caipira mal assessorado e mal intencionado que ainda vai fazer muito mais cagada por ai... Excrusivers eu queria dizer aqui que as pessoas procurem boicotar o máximo de produtos americanos que puderem, claro que é quase impossível mas é possível não comer no Mac Donalds, evitar a Coca Cola, evitar vários produtos de vestuário que são americanos. É óbvio que isso não os atingirá economicamente até porque tudo é deles, mas acho um forma moral legal de levantar uma idéia de resistência.

9. Agora o infame jogo rápido, o que vocês pensam à respeito do:

a)MST -
Eu acredito neles.

b)"cena" punk -
O que é isso? Nasci na Praia do Canto, tem que perguntar isso pros caras do MDR que são do verdadeiro movimento.

c)Mp3 -
Acho fodasso.

d)Geração punk anos 80 do Brasil -
Acho que deveriam ser mais reconhecidos pelo trabalho duro que fizeram.

Clipe de "Zero e Um":


10.Vale a pena fazer rock n'roll no Brasil?

Não.... No independente financeiramente não, mas em outros aspectos vale demais a pena.

Se vocês quiserem deixar alguma mensagem pra molecada o espaço é de vocês!

Quem estiver lendo isso, leia e não acredite em tudo acredite mais em você mesmo, saiba que você é capaz de mudar o mundo, o seu mundo, fazer a diferença em n aspectos, mas antes disso você tem que acreditar em vc mesmo, ler mais, viver mais, ser menos dogmático e ter mais auto-critica... Faça um zine, monte uma banda, estude pra fazer o que quer da vida, e se arrependa quando quiser mas nunca deixe de fazer.
Aquele abrá!! Dispam-se e me ignorem!!

Rodrigo.

-Todas nossas entrevistas!

-Leia entrevista com os Garotos Podres.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Arnaldo Baptista - Entrevista

-Ouça música da nova fase dos Mutantes

Bilhete do Kurt Cobain pro Arnaldo, enviado com a entrevista.

Em 2004, eu estava começando no jornal laboratório da Unesp(Contexto), na editoria de cultura. A Dani Lima era minha editora e a gente estava fazendo uma matéria relacionando tristeza e a arte. Pra isso precisávamos entrevistar o Arnaldo Baptista(fundador dos Mutantes) pra falar sobre seu álbum Lóki? Consegui achar o cara pelo e-mail, e ele respondeu essa micro entrevista, do seu jeito pra lá de doidão.

Ando meio desligado
por Fred Di Giacomo e Renato Bueno

1)Teu disco Lóki está cercado de elementos extra-disco que remetem a isolamento e tristeza (separação dos Mutantes, "conflitos pessoais"...) Mas ali mesmo dá pra perceber que quem canta tudo aquilo parece estar à vontade, parece ter se encontrado. Você o considera um disco triste?
O lado triste revela o "blues", que consegue um som, só... Será que a tristeza não é de quem ouve???

2) Qual a importância da participação dos antigos parceiros no disco?
A importância foi nula... Eles eram meus parceiros na época, só isso...

3) Nelson Rodrigues disse que, se a vida não impõe sofrimento ao artista, ele deve buscar seu próprio sofrimento. Funciona assim na música? E na pintura?
Na música menos que na pintura.

4)Você chegou a trocar idéias com Kurt Cobain. Pelas letras do Nirvana e muitos comentários sobre o trabalho deles, percebemos uma angústia constante. Que impressão você teve do Kurt como amigo e fã dos Mutantes?
Eu não o conheci pessoalmente, mas gosto dele... Ele é que parece não Kurtiu bem a vida... Segue anexo o bilhete que ele me mandou...(Veja no começo da entrevista)

5)O que você acha do filho de seu ídolo(John Lennon), Sean Lennon, ser seu fã? Como surgiu o contato com ele?
Foi uma maravilha... Ele me convidou para participar do FreeJazz com ele na música "Panis et Circenses" Com ele eu troquei bastante idéias. Nunca poderia imaginar que o filho do meu ídolo seria meu fã.

6) Quais são seus projetos pro futuro? Música? Literatura? Pintura?
É ser melhor Arnaldo e não exageraldo.. Aguarde novo CD... Breve....




Arnaldo Baptista e Sean Lennon no Free Jazz Festival:

Veja também
-Confira mais entrevistas!
-Conheça a obra de Timothy Leary o guru do LSD

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Entrevista: Garotos Podres

Esses dias assisti o documentário "Botinada" do Gastão Moreira e fiquei empolgadaço e saudosista com o velho punk rock. Em homenagem, resgatei está entrevista com os Garotos Podres, originalmente publicada no Zine Kaos, feita por mim via e-mail em algum lugar entre 2002 e 2003.


Os Garotos Podres são umas das bandas mais injustiçadas do Rock Brasileiro, perseguidos pela censura no regime militar e por acusações infundadas de nazismo vindas das classes mais xiitas do punk, a banda segue firme desde o início dos anos 80 quando surgiu no ABC paulistas, se destacando como uma das mais importantes bandas do punk rock nacional e compondo clássicos como “Papai-Noel, Velho batuta” e “Anarquia Oi”. Vai abaixo entrevista com o vocalista dessa lenda do underground nacional, Mau.

por Fred Di Giacomo

1. Bom pessoal , vocês estão preparando seu quinto álbum, né? Como anda o processo de produção e qual a diferença em relação aos primeiros discos?
É isso aí! ... estamos preparando o nosso 5º álbum, o “Garotozil de Podrezepan 100 mg”, que deve sair em agosto ou setembro de 2003! Atualmente toda a produção está pronta só falta “mandar prensar” (vai sair independente ... nós mesmos vamos lançá-lo!)
Acredito que em relação aos outros álbuns, este é melhor gravado (caprichamos na produção), e regata muito do “humor-crítico” do nosso primeiro álbum (o “Mais Podres do que Nunca”)

2. Também foi lançado pela Rotten Record o tributo ao Garotos Podres, o que vocês acharam do resultado? Qual é o cover favorito de vocês?
Gostamos muito do “Tributo”! ... a maioria das “versões” ficaram melhores do que as “originais” ! A versão de “Meu Bem”, dos Kães Vadius, ficou do caralho!!!


3. Os Garotos Podres têm sofrido perseguição de alguns seguimentos do movimento punk que os acusam de serem nazistas, principalmente por causa da música Füher e da estética oi. Essa perseguição já encheu o saco? O que vocês tem a dizer sobre o assunto?
Putaqueopariu! ... Isto já encheu o saco!! ... Estes caras que ficam “falando besteiras”, simplesmente não sabem de porra nenhuma e tem o “dedo maior que o cérebro”!!! ... Não sabem que o movimento “Oi!” nada tem a ver com “nazismo”, e não sabem que a música “Füher”, foi escrita na época dos massacres dos campos de refugiados palestinos de “Sabra” e “Chatila” (no sul do Líbano) por tropas israelenses (comandadas por “Ariel Sharon”). Não entendem que a intenção da música é colocar “no mesmo saco” os “nazistas” e a “extrema direita israelense” que defende a matança indiscriminada e a deportação em massa de palestinos! ...
A coisa é tão ridícula que em nosso último show em Recife, tinha uns caras nos questionando, perguntando coisas do tipo: “Vocês são nazis?” ... “Não gostam de nordestinos?”. Acontece que a mãe do Sukata é pernambucana de Caruarú! ...
Qualquer dia desses, ainda vamos “perder a paciência” e pegar um desses “burros” pela orelha e dar umas boas “botinadas” na bunda! ...


4. Citem 5 discos para o garoto que está interessado em conhecer o estilo de som de vocês.(ska/punk/oi...)
Acho que tem algumas “coletâneas” (compilações) que são clássicas. A primeira delas é a “Strength thro Oi!”, que marcou o surgimento da “Oi! music” na Inglaterra.
Em relação ao “Ska”, a coletânea “Carry on Ska”, é fundamental. Para se conhecer um pouco do “Skinhead Reggae”, uma coletânea fantástica é a “Skinhead Jamboree”.
Além dessa três coletâneas, indicaria mais duas, fundamentais para se conhecer um pouco mais do “punk/oi” (ou “street punk”): a “Kaos in France” e a “Kaos in Europe”.


5. Os Garotos Podres se orgulham de fazer o mesmo som do início da carreira, o que vocês tem ouvido ultimamente? Alguma coisa nova ou os velhos clássicos do começo?
Ultimamente temos ouvido o mesmo que ouvíamos há vinte anos atrás! ... Acho que “paramos um pouco no tempo” ... Continuamos a ouvir ainda os “clássicos” do Punk Rock do final dos anos 70, a “Oi! music” do início dos anos 80, o “Ska Two Tone” do final dos 70 e início dos 80 e, o “Reggae” do final dos anos 60!!!!!! ... Estas são as nossas influências!!!


6. A banda tem discos lançados e excursionou por alguns países da Europa. Qual é a recepção do seu trabalho lá fora?
Temos CDs, LPs e Eps lançados em Portugal, Alemanha, França, Canadá e EUA. Fizemos uma “mini-tour” pela Europa em 95. Somos mais conhecidos fora do Brasil do que aqui. Quando tocamos na Europa, ficamos impressionados com a receptividade, principalmente em Portugal e Alemanha. Tocamos em todos os dias da semana (inclusive nas “segundas-feiras”). Em Berlim conhecemos uma moçada da Polônia que tinha vindo à Alemanha, só para ver o nosso show! ... Foi realmente uma experiência inesquecível!!


-Conheça o disco "Pela Paz em Todo Mundo", do Cólera

7. Qual a sua opinião sobre as bandas de hardcore melódico que formam uma grande parte do "novo punk nacional" como Cpm22, Dead Fish e Dance of Days?
Eu (Mau), particularmente não gosto dessa onda “americanizada” do assim chamado “Hardcore Melódico”. Embora seja bem tocado e gravado, parece que não tem “alma”! ... Prefiro mesmo os “clássicos” do Punk Rock dos anos 70 e 80!!


8. No disco Canções de Ninar, há uma música, "Saddam Hussein is Rock n' Roll" que se tornou atual com a invasão dos EUA no Iraque(tem até o George Bush no meio, só que na época era o Bush pai). Qual a opinião de vocês sobre a nova Guerra do Iraque e o imperialismo americano?
Bem ou mal, até os anos 80 havia um certo “equilíbrio estratégico” entre as grandes “potências”. Após a dissolução da URSS e o fim da guerra fria, os EUA passaram a ter uma postura cada vez mais agressiva em relação ao resto do mundo, pois não há mais uma outra “superpotência nuclear” capaz de enfrentar o poderio norte-americano.
É dentro deste contexto que podemos analisar a atual intervenção imperialista dos EUA no Iraque. O que mais assusta é que os EUA deixaram bem claro que não pretendem parar por aí! ... Antes mesmo de invadir o Iraque, ficaram com aquela história de “eixo do mal”, e ameaçaram claramente o Irã, a Coréia do Norte, Cuba, etc. Seguramente os EUA de hoje são a maior ameaça a paz mundial. As atitudes de George W. Bush lembram um pouco a postura de Adolf Hitler antes da Segunda Guerra Mundial. Antes de invadir a Polônia (acontecimento que deu início à guerra), Hitler invadiu a Checoslováquia, anexou a Áustria etc. Sinceramente espero que o povo norte-americano consiga se livrar da “extrema direita” que se apossou do poder dos EUA, pois Bush é hoje, uma ameaça muito maior do que Hitler foi no passado .... basta lembrar que ao contrário de Bush, Hitler não tinha “armas nucleares capazes de destruir várias vezes o mundo”.


9. Mudando o assunto pra política, vocês vem da região do ABC e a postura de vocês os aproxima do movimento metalúrgico dos anos 80. O que vocês acham da eleição do Lula pra presidente e do seu início de governo?

Acho que a eleição de Lula à presidência foi indubitavelmente um avanço! ... Pela primeira vez um trabalhador chega à presidência de um país tradicionalmente governado por representantes de oligarquias decadentes!
Em 1980 estávamos no “olho do furacão” ... Estudava numa escola bem ao lado do Paço Municipal de S. Bernardo do Campo, e costumava “matar aulas” para ver as assembléias e manifestações. Foi nessa época que “experimentei” a minha primeira bomba de gás lacrimogêneo na cara! ... A primeira apresentação dos Garotos Podres foi num festival beneficente ao “Fundo de Greve” do Sindicato dos Metalúrgicos de Sto André. Acho que vimos surgir e crescer a CUT e o PT, e que, a chegada do Lula à presidência, nada mais é que o coroamento dos esforços da classe operária em mais de 20 anos de luta.
Entretanto não devemos ter ilusões! ... A chegada de Lula a presidência é apenas uma etapa!! ... Embora o PT ocupe a presidência, o poder “de fato” ainda está nas mãos daqueles que sempre controlaram o país! ... É portanto o momento dos trabalhadores se mobilizarem, e levar o “governo Lula” a assumir as posições históricas do PT e das esquerdas brasileiras ... Somente a “luta de classes” pode fazer isso!


10. Agora, as infames rapidinhas,o que vocês pensam a respeito de:
a) Hip-Hop?
...Não gosto da música, mas as letra são fantásticas! ...Na verdade são poemas musicados!!
b) Virús 27? ... Gostamos muito da banda! ... Infelizmente faz muito tempo que não nos vemos!
c) Socialismo: “O Capitalismo é um sistema econômico decadente que aos poucos desaparece, assim como o sol que se põe por detrás das montanhas do Ocidente. E o Socialismo, radiante primavera dos povos, lança os seus primeiros raios de luz sobre a humanidade, afastando as trevas da noite, assim como o sol que se levanta por de trás das montanhas do Oriente”
d) Cuba? ... Atualmente? ... A mais avançada trincheira dos povos oprimidos do “terceiro mundo” contra o “imperialismo norte-americano”!


11. Vale a pena fazer rock no Brasil? Qualquer comentário ou mensagem pra molecada que queiram deixar, sintam-se a vontade...
Vale a pena fazer rock no Brasil? ... Se for para ganhar dinheiro, tentar viver da música ... Lógico que não (nenhum de nós dos Garotos Podres vivemos da banda, todos trabalhamos em alguma coisa!) ... Acho que hoje, só faz rock’n’roll no Brasil, quem realmente gosta e sente prazer no que faz! ... Quem quiser conhecer um pouco mais da banda, é só acessar a nossa hp: http://www.garotopodre.cjb.net/ Um abraço a todos!

Veja também:

-Leia resenha sobre o primeiro disco dos Garotos Podres, "Mais podres do que nunca"
-Conheça as bandas que fizeram história no Punk 77 inglês