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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Free Jazz com palavras - Jademir Rocha + Frico

Sim, quinta-feira é a ditadura da arte. Quem não gostar será fuzilado por um pelotão de aquarelas!

Jademir Rocha ganha a vida cuidando de dentes e obturações, mas gosta mesmo - há anos - de pintar e tocar seu sax. Entre desenhos de jazz com grafite, aquarelas e pequenos artesanatos, ele vive em São Paulo em busca de novos discos para sua coleção.

Inspirado pela série de desenhos de jazz de Jademir, Frico pediu alguns para ilustrar seu livro ainda imaginário chamado "Bebop Beat", composto de poemas feitos no calor do momento, seguindo seu fluxo de consciência ao som de Miles Davis e John Coltrane. O primeiro resultado da parceria está aí:


Free Jazz com palavras
Segura só esse solo, sussurrou Ulysses
E se pôs a tocar uma odisséia sonora
Minha mãezinha do céu, Homero é um maestro com as palavras!
Elas voam na estratosfera azul do Harlem, enquanto Têlemaco repete o riff
E Penélope costura notas num bordado de arpejos e beijos
O Cíclope pede um trago a detona o contrabaixo
Eu escuto João Donato, e Posídon é a pedra no meu sapato
Gosto das palavras assim, free jazz e meu fluxo de consciência


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O Evangelho segundo Louis Amstrong - Frico

-Quer aprender a perder o pecado?



E, então, o senhor disse:

Tocai as cornetas até arrebentar seus pulmões
Que o homem saiba que são dele o reino e os portões.
Do alto da montanha o band leader sentiu
Foi o dia em que o sábio Nietzsche sorriu:
"Um Deus que dança! Hosana nas alturas!"
E Coltrane era o sacerdote a empunhar as escrituras
O amor supremo inebriou os cordeiros do senhor
Francisco de Assis rodopiava em louvor
O padre ministrava seguindo a partitura
E Deus era o maestro de toda criatura.
Era o Apocalypse, a grande revelação
Salvaram-se as almas pela força da canção

Frico já escreveu um punhado de poesias nesse blog. Leia o resto aqui e deixe seu comentário aí embaixo.
-Tem um Drummond no meio do caminho

terça-feira, 31 de março de 2009

Ulysses fugiu da Grécia atrás das garotas negras de Coltrane - Frico Di Giacomo

-Leia mais poesias

Espeto a vitrola que gemendo espirra música carola
Injeta em meu cérebro o jazz espiritual de Coltrane
Já achei calmo, bonito e triste,i ncrível, né?
Como um punhado de notas matémáticas pode ter
Múltiplos significados estéticos
As garotas negras vão dançando com ritmo, no swing do sax - tem peitos empinados as garotas negras
Lou Reed também gosta de garotas de cor porque elas canta tchu ru ru
Um whiskey por favor, e mais um solo de Coltrane no céu
Leio Allen Ginsberg, um poemo louco e alado como um deus
Leio Chester Himes um romance de dourados mistérios como a madrugadora
Aurora, aquela das belas tranças
Transei Odisséias, mas não tracei Ulysses
Joyce é um chato careca quatro olhos, escrevendo suas linhas tortas
Gosto de torta na cara, como nos "Três Patetas", mas também gosto da bengala bêbada do bepop de Betty Boop
Betty Page tem peitos, quem tem bengala é Charles Chaplin
E quem dá luz ao cego é bengala branca de Santa Luzia.
Mas hoje não estou mais cego, posso enxergar a vida tão real quando um filme
Definição em tela plana, a vida me parece bem mais simples que uma equação.
Me parece um solinho punk daqueles bem alegres, que você assobia feito um doido na rua.
Os pássaros cantam, e as bichas e as mulheres aladas, e meu peido é melodioso quando como feijão com Chet Baker
Ontem devorei um filme do Polanski, acho que era sobre sexo.

REPULSA ao sexo

Eu também já senti peso católico na consciência Cristã de minhas costas curvas
Sabe, sexo seduz sempre sentindo o ser. Serei sereno e sincero
Num orgasmo cósmico criarei o universo que morrerá comigo
Meu mundo é um milhão de idéias que não consigo ecrever, de bytes, de cores, de sons e cheiros
Os filmes que eu vi, as músicas que eu ouvi, as dores que eu senti, clichês que escrevi.
As lágrimas que você quis que eu vertesse ao vivo e a cores, seu cheiro forte depois do sexo.
Tudo isso vai acabar comigo numa hecatombe onírica, no meu aniversário de 100 anos.
E ai ficarão para a história os beijos, os peidos, os livros de Bukowski, a Sessão da Tarde
As cervejas e brigadeiros, o gelo dos EUA e o calor do Mato Grosso.
Meu deus que gostoso é viver assim, com a vitrola rodando, o fumo queimando e você me amando - Fim.

"Sentir é mais importante que pensar", decreta o Ciclope - eu calo - com o cérebro no falo

Leia também:
-Resenha da "Odisséia", de Homero
-Poemas beat de Lawrence Ferlinghetti