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domingo, 25 de outubro de 2009

Uma canção para São Paulo

Era um refrão de samba, que virou esse texto longo, composto caminhando pelo meu bairro

-"Tinha um Drummond no meio do caminho"

São Paulo eu queria te abraçar, ai, ai.
Até que enfim a cidade vai enxergar, vai, vai.

São Paulo eu queria te abraçar, ai.
Até que enfim a cidade vai enxergar, vai.

Vai enxergar o mendigo-artista que pinta retratos no Butantã
A menina linda que espera cansada no ponto de ônibus
Garotos palhaços que transformam semáforos em circo

São Paulo das ruas imundas e cheias, Vital Brasil cacofônica.

São Paulo, se tu fosse uma mulher, te levava pra casa e arrumava seus dentes.
São Paulo, se tu fosse uma mulher, te dava banho e escovava teus dentes.


***



Um dia eu vi um rato morto debaixo da ponte Eusébio Matoso.
Decompondo-se dia após dia.

Pele.
Carne
Ossos
Poeira
Nada

Ao lado dos mendigos ratos, que habitavam bueiros. Nada

***

Como Caetano te achei feia, cinza e suja.
Mas te entendi depois, imponência de grandes avenidas paulistas e farias limas.
O lado bonito e oculto da cidade fantasma.
Não que não haja beleza nos jardins do Jardim Ângela e nas formas circulares do Capão.
Redondo.

Algumas coisas acontecem na Avenida São João
Madrugadas boêmias, Ipiranga, Copan. Meu coração.
"De noite rondo a cidade"
Os bares da Vila Madalena, Augusta e Barra Funda.
Espero meu ônibus e vejo o Jaçanã.
Passo o bilhete único e lembro do Adoniran.
***

São Paulo é a mais democrática e a mais elitista megalópole brasileira.
Não pertence aos paulistanos, mas aos nordestinos, caipiras e gaúchos
Africanos que estudam na USP, bolivianos que enchem o Brás, Bexiga e Barra Funda.
Italianos da Mooca em jogos do Juventus e japoneses cantando boleros em karaokês.

***
Metrô ultrarrápido
Jatos utrasônicos
Paulistanos ultrasós

***



São Paulo eu queria te abraçar, ai, ai.
Até que enfim a cidade vai enxergar

Vai

-Outras tentativas poéticas

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Madonna e os shows de 2008

Falta só um fiapinho de 2008 pra acabar. Não fui aos grandes festivais este ano e acho que não perdi grande coisa.

Ao contrário do amigo Diego Maia, achei o show da Madonna(19/12) emocionante sim, e não foi frio como os relatos que li de apresentações na França e nos EUA. Sim, ela é mais showoman do que cantora, mas isso eu já sabia há tempos. O espetáculo dela é um grande musical multimídia, uma ópera pop com telões, coreografias, músicos diversos e o carisma de Madge.

Clássicos do pop ficaram mais pesados, e a Madonna roqueira faz sinal de heavy metal e empunha guitarra negra em "Boderline". Em outros momentos, tiozinhos ciganos emprestam violão, rabeca e acordeon para "La Isla Bonita" e outras latinidades.

Fora a pirotecnia improvisada, ela improvisou. Sim, no meio de todo script de sua epopéia dance, a ex- de Guy Ritche disse que amava Sampa e o Brasil, que pretendia voltar em menos tempo da próxima vez, chamou a dançarina - na qual tascou um beijo - de "puta"(em português mesmo), pediu pra galera bater palmas e escolheu um cara na platéia pra decidir qual seria a próxima música. (E escolha do tal Márcio - que Madge chamou de "Macho"- foi Like a Virgin, óbvia, mas que não consta no repertório atual da rainha do pop).

Enfim, foi um puta show, e olha que eu sou apenas um cara que achava a Madonna gostosa em 1994 e conhecia meia dúzia de refrões da loira hoje em dia.

De resto este ano lembro que assisti:
-Bob Dylan => Até hoje não sei muito o que dizer sobre esse show. Mas foi morno
-About Us => Cobri Ben Harper e Dave Matthews. Me surpreendi
-Vanguart =>Gravação do DVD com presença de Mallu Magalhães
-Mundo Livre s/a => Studio SP lotado, puta show.
-Del Rey => Divertido mais uma vez.
-Mombojó => A Veja diz que são filhotes de Los Hermanos. Os shows deles são melhores
-Orquesta Imperial => Nunca vi Amarante tão front man
-Jorge Ben na Virada Cultural=> Ben velhinho